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O Museu do Amanhã

António Paraíso
Opinião \ quarta-feira, setembro 29, 2021
© Direitos reservados
O Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, é uma experiência focada no futuro, que mexe com a mente e com os cinco sentidos, procurando chamar a nossa atenção para o impacto que o ser humano tem no mundo.

Em 2019 estive no Rio de Janeiro. Foi a última grande viagem que fiz até agora.

Gosto do Brasil e, particularmente, do Rio de Janeiro. Além da beleza impressionante, é o país de origem do meu pai e o meu segundo país. Tenho lá muita família, bons amigos e parte de mim.

Sempre que viajo, gosto de conhecer a cultura dos povos e dos lugares, visitar bairros, monumentos, galerias de arte e museus.

Uma das novas atrações do Rio é o Museu do Amanhã. O edifício moderno e arrojado tem o traço inconfundível do starchitect Santiago Calatrava, mestre da ‘arquitetura-espetáculo’, que assinou também a Cidade das Artes e das Ciências, em Valência, e a Gare do Oriente, em Lisboa.

O Museu do Amanhã é uma experiência focada no futuro, que mexe com a mente e com os cinco sentidos, procurando chamar a nossa atenção para o impacto que o ser humano tem no mundo em que vive, mostrando as coisas boas e más que, previsivelmente, vêm aí e obrigando-nos a pensar na mudança de comportamento que cada um de nós deve abraçar para construir o futuro.

Lá dentro a viagem é impressionante.

 

Museu do Amanhã (exterior), no Rio de Janeiro

Museu do Amanhã (exterior), no Rio de Janeiro

 

Uma viagem de reflexão

A visita faz-se percorrendo cinco grandes áreas: Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhãs e Nós. 

Na sala Cosmos, tudo começa com uma experiência audiovisual intrigante, deitados no chão, onde um vídeo em 360º, nos conta a teoria cosmológica da formação do universo, o Big Bang.

No pavilhão Terra vamos descobrir quem somos e como é a vida no nosso planeta. O globo, os ventos, a atmosfera, os oceanos, o mundo, mas também a vida, os seres vivos, o ADN, os ecossistemas e seus organismos. E ainda, aquilo que nos faz humanos, o pensamento, os sentimentos, as emoções. Tudo isto é mostrado de uma forma surpreendente, cativante, interativa, que nos obriga a pensar.

Antropoceno, um termo inventado por Crutzen, Prémio Nobel da Química de 1995, remete para a combinação de Homem e Geologia. Neste pavilhão somos confrontados com factos, estatísticas, imagens reais da ação do ser humano na Terra e de como essas ações têm provocado mudanças boas e más no planeta. Recordo-me que fiquei esmagado por algumas imagens e dados, que desconhecia.

A secção Amanhãs tem muitos jogos, ecrãs interativos e vídeos que procuram explicar como será o futuro. Mostra-nos as diferentes civilizações e ajuda-nos a perceber como deveremos gerir recursos para garantir o futuro da humanidade. Tem um foco grande na sustentabilidade e interatividade lúdica.

Apesar de ser um museu de ciência, tem momentos emocionantes como aquele em que dois grandes véus de tecido fino e leve, numa sala completamente escura, dançam com um feixe de luz branca e fluxos de ar comprimido, ao som de música de piano. Um momento emocionante, talvez inspirado na mítica cena do saco plástico no filme Beleza Americana, de Sam Mendes (1999), que arrebatou oito Óscares de Hollywood.

Por fim, a parte final da exposição, na ala Nós, tem diversas referências aos povos indígenas, e está decorada de forma a convidar à introspeção. Sugere-se que o Amanhã começa hoje com as escolhas que fazemos e as mudanças de hábitos que podemos adotar.

O objetivo é que comecemos ali mesmo a tomar decisões.

Se viajar para o Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã é de visita obrigatória. E a reflexão que ele provoca, também o é.

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