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O paradoxo de Santa Clara

Sara Martins Silva
Opinião \ segunda-feira, junho 27, 2022
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Querer ser Capital Verde Europeia não se coaduna com uma governação que não inclui os cidadãos e não leva em conta a sua opinião.

No início deste mês, a Câmara Municipal de Guimarães anunciou que vai avançar com a candidatura à Capital Verde Europeia 2025. Depois da perda do título para Lisboa em 2020, Guimarães volta assim à carga pelo título que distingue cidades que são um exemplo em termos de sustentabilidade ambiental, social e económica.

Como vimaranense, gostaria muito que a minha cidade ostentasse esse título, não pelo título em si mas pela visão e caminho que o mesmo representa em termos de governação. Contudo, o que vemos na prática é um paradoxo no que concerne à sustentabilidade e ambiente.

Quando li o documento de candidatura anterior achei que o mesmo estava empolado e que algumas das ações apontadas no mesmo não teriam impacto ou dimensão no território.

Quando olhamos para o concelho e para as opções que o executivo camarário faz, percebemos que a sustentabilidade ambiental não é uma preocupação prioritária.

Olhamos para o centro da vila das Taipas e o massacre que foi feito ao parque arbóreo não inspira confiança quanto ao respeito pelo património natural.

A pressão urbanística no parque da Ínsua em Ponte, com uma quantidade absurda de novos prédios numa área que deveria ser de proteção do rio, contraria a tese da sustentabilidade.

E o exemplo da via do AvePark e de todo o processo que a envolve mostra-nos uma forma de fazer e pensar política que nada tem de sustentável ou amiga do ambiente, por parte da Câmara de Guimarães.

Se, por um lado, defender a construção de uma via com 7 ou 8km para ligar o AvePark à autoestrada, quando esta passa a 2km, com tudo o que isso acarreta de poluição, custos e destruição da paisagem natural, é um paradoxo gigante, sem qualquer correlação com a lógica sustentável, por outro lado, o processo em si mostra-nos que não há qualquer vontade em envolver as pessoas na decisão política.

Por estes dias ficamos a saber, pela Câmara Municipal de Guimarães, que a Agência Portuguesa do Ambiente aprovou o estudo de impacto ambiental, sem, contudo, tornar público esse estudo.

Este é um tema que tem mobilizado a população e, no entanto, a Câmara recusa a consulta pública, obrigatória em estudos de impacto ambiental.

Continuamos sem saber qual o traçado e até mesmo qual o custo total e o seu financiamento, além do fundo disponibilizado pelo Plano de Resiliência e Recuperação.

Capital Verde não pode ser apenas um título, algo para nos gabarmos, tem de ser uma forma de vida, de estar, de governar.

Querer ser Capital Verde não se coaduna com uma governação que não inclui os cidadãos e não leva em conta a sua opinião.

E o argumento “a análise foi feita por mais de 10 ministros da tutela”, usada pelo presidente Domingos Bragança para sustentar a falta de consulta pública, é só estulto.

Se um dos principais problemas de mobilidade do concelho é a N101, se a via do AvePark não vai solucionar esse problema, e agora até o presidente da Junta de Freguesia das Taipas e deputado da Assembleia da República o admite, então a prioridade deve ser a N101 e não a via do AvePark, que não acrescentará nada à sustentabilidade do concelho.

Não queremos ser Capital Verde para ter mais um logótipo nos cartazes publicitários, queremos uma governação que queira ser Verde porque esse é o único caminho com futuro.

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