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Publicidade enganosa

Pedro Carvalho
Opinião \ quinta-feira, fevereiro 15, 2024
© Direitos reservados
Qualquer dos anteriores presidentes tinha a noção que essa publicitação constante da situação financeira do Vitória resultava em má publicidade, que denigre a imagem do clube e a capacidade negocial.

Para a maioria dos adeptos de futebol, quando a bola entra, sejam quais forem os problemas do seu clube, estes em regra são ignorados ou momentaneamente esquecidos. Contudo, quando assim não é, as críticas surgem, os problemas voltam a incomodar e a merecer amplo debate, e, por variadíssimas vezes, estes problemas são mesmo exacerbados. É assim, infelizmente, em qualquer clube de futebol português, é assim no nosso Vitória.

Não estando inteiramente imune a esse espírito futebolístico, procuro, apesar de tudo e mesmo contra a corrente, ter um espírito crítico, contribuindo, sempre que posso – umas vezes de forma pública, outras vezes em privado –, para o debate e questionamento, independentemente dos resultados e desempenho futebolístico do momento. Naturalmente que há períodos da vida do Vitória Sport Clube em que senti que se impunha uma maior intervenção e crítica, porque cedo me apercebi que a Direção do momento não era capaz de gerir os destinos do clube, apesar de ter sido legitimamente eleita e por larga maioria. Foi assim com a Direção presidida por Vítor Magalhães e é assim agora com esta Direção presidida por António Miguel Cardoso. Em ambos os casos, percebi rapidamente que não havia um projeto, um plano e um rumo definido. As promessas feitas em campanha, em ambos o caso, eram manifestamente publicidade enganosa, como se veio a demonstrar mais tarde. Foram várias as Direções e presidentes que não cumpriram várias promessas ou que cometeram erros, ou que não lograram atingir os objetivos, mas em todas elas – com exceção também da do Emílio Macedo – havia um projeto, um plano, um rumo. Nas direções de Vítor Magalhães e António Miguel Cardoso não só não foram cumpridas as promessas, como não havia qualquer projeto ou rumo.

No caso da atual direção, é gritante essa falta de projeto e rumo. Com António Miguel Cardoso tanto existem soluções e almofadas financeiras para enfrentar os desafios de tesouraria do clube (que conhecia), como, logo a seguir, estas afinal não existem e é preciso vender, vender tudo e a qualquer preço e sem critério, como ocorreu entre outros com o Dani. Com António Miguel Cardoso tanto há capacidade e projeto próprio para sanear as contas e haver Mais Vitória, como logo a seguir, o caminho só pode ser trilhado com um parceiro – a V. Sports –, a quem, em nome do Vitória, esteve disposto a dar tudo de garantia para que aquele fundo lhe emprestasse dinheiro, como também esteve disposto a perder a autonomia e independência a favor daquele e por valores irrisórios (tendo em conta o concreto negócio que se veio a conhecer após aprovação do mesmo), aceitando uma alteração dos estatutos e celebrando um acordo parassocial (às escondidas dos sócios) e um protocolo a 30 anos, assegurando ao comprador o controle da gestão da SAD, e da marca Vitória, apesar de este ser apenas um acionista minoritário. Renegociada a parceria, por imposição da UEFA, António Miguel Cardoso, uma vez mais incoerentemente, veio afirmar que o parceiro já não era essencial e que o Vitória saía inclusivamente reforçado e agora era independente… Afinal Cardoso não queria um parceiro, mas antes e apenas carecia dos empréstimos da V Sports, e tudo porque não tinha a almofada financeira que assegurara ter e também porque não tinha capacidade de encontrar soluções e de gerar valor.

Com António Miguel Cardoso tanto há um corte em despesas como a seguir há gastos sumptuosos, entre outros, com estágio na Quinta do Lago, hotéis de cinco estrelas, restaurantes de renome e vastas comitivas em deslocações europeias e em solo nacional. Acresce que é apenas com Cardoso que na Vitória SAD passaram a existir, para além do presidente, três administradores executivos, com salários e prémios anuais facilmente alcançáveis. Também com Cardoso foram estabelecidos tetos salarias que logo a seguir foram ultrapassados, numa politica económica e desportiva de montanha russa, em que foram vendidos jogadores ao desbarato para descer a massa salarial e a seguir fez-se a mais cara contratação do clube, com salário condizente, de mais de meio milhão de euros anuais.

Com António Miguel Cardoso tanto há uma partilha de objetivos e de filosofia com um diretor desportivo, como rapidamente esta deixa de existir, levando ao despedimento daquele. Despendem-se funcionários para alegadamente “cortar gorduras” e a seguir contratam-se externamente serviços para o desempenho das mesmas tarefas que eram àqueles trabalhadores atribuídas e, por vezes, por valores superiores e sem qualquer garantia de sigilo, visando apenas e tão só reduzir artificialmente a folha salarial.  

Com António Miguel Cardoso tão depressa Turra era o treinador ideal (e aposta pessoal) para o Vitória, como logo de seguida este tinha problemas de liderança e era afinal só bom preparador físico. Erro que teve e tem custos elevados para o Vitória, porque ainda continuará a sobrecarregar a tesouraria uma vez que continua aparentemente a receber o salário, apesar de já não ser funcionário do Vitória. Pelo menos o Tiago, cuja contratação também se revelou um erro, foi embora sem quaisquer custos para o Vitória. A única boa notícia neste âmbito foi a contratação de Álvaro Pacheco, o qual, felizmente, cessou, já no decurso desta época desportiva, o seu vínculo com o Estoril, estando livre quando Turra foi “despedido”.

Com António Miguel Cardoso a vitimização é constante, nunca assumindo as suas responsabilidades, optando sempre por propalar as dificuldades de tesouraria do clube para tentar justificar a sua incapacidade e insucessos. Nunca o Vitória, em toda a sua história, teve tantas e reiteradas notícias das suas dificuldades financeiras, apesar destas terem sempre existido, tendo o clube inclusivamente estado, no mandato de António Pimenta Machado, impedido de utilizar cheques. Mas nunca antes os sucessivos presidentes andaram incessantemente a propalar essas dificuldades económicas, como aconteceu nestes últimos dois anos,  porque sabiam que estavam a diminuir a capacidade negocial do clube e a destruir valor. Qualquer um dos anteriores presidentes tinha a noção que essa publicitação constantes da situação financeira do Vitória resultava em má publicidade, que só denigre a imagem do clube e a sua capacidade negocial  e ainda provoca a desvalorização acentuada dos seus ativos. Em consequência disso e da incapacidade negocial de Cardoso, os direitos económicos do Dani foram vendidos por uns ridículos milhão e meio e alegadamente após “duras negociações”. Se não fosse trágico daria vontade de rir. Se qualquer empresa vender, por se encontrar com dificuldades económicas e de tesouraria, os seus preciosos ativos por um terço ou um quarto do respetivo valor, a sua situação económica não se vai inverter e a curto/médio prazo a insolvência será uma realidade inevitável. E tudo para mascarar a incompetência de quem não sabe fazer melhor. Esta excelente época desportiva (a nível da equipa A de futebol) não esconde essa incompetência, apenas disfarça ou distrai aqueles quer querem ser distraídos.

Ora, estes e outros exemplos, demonstram a ausência de rumo e projeto, demonstram que hoje é verdade amanhã pode mesmo ser mentira, e pior, demonstram e revelam uma gritante incapacidade gestionária da Direção e em particular de António Miguel Cardoso, o qual manifestamente não faz parte da solução, mas do problema. Mais Vitória foi e é manifestamente publicidade enganosa!!

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