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Quando os números ofuscam a realidade

Carlos Rui Abreu
Opinião \ sábado, fevereiro 17, 2024
© Direitos reservados
Pode ver-se que a Liga tem contas positivas e tem 9,2 milhões de euros para distribuir pelos clubes. Esta evidência contrasta com a realidade de muitos clubes que se arrastam pelas competições.

A Liga Portugal anunciou esta sexta-feira um conjunto de números das competições profissionais em Portugal, ao final da primeira volta, e pintou de dourado o cenário do futebol em Portugal. Helena Pires, a CEO da Liga, divulgou dados que colocam a Liga Portugal “mais valorizada do que nunca”, com a justiça desportiva “mais célere do que nunca”, melhor espetáculo “do que nunca”, Liga Portugal “mais atrativa do que nunca”, futebol profissional “mais competitivo do que nunca” e com um impacto económico “maior do que nunca”. Dito assim o futebol jogado em Portugal parece saído do país das maravilhas e a perceção que o adepto tem, seja no estádio, seja a assistir pela televisão não é o mesmo.

Dos números plasmados, pode ver-se que pelo oitavo ano consecutivo a Liga tem contas positivas e tem 9,2 milhões de euros para distribuir pelos clubes. Esta evidência contrasta com a realidade de muitos clubes que se arrastam pelas competições, com ordenados em atraso, com infraestruturas deficitárias e uma carestia que é visível.

Também foi anunciado que a Liga Portugal está valorizada internacionalmente e tem conseguido captar parceiros/marcas nacionais e internacionais e, aí, não bate a bota com a perdigota que nos diz que a nossa liga não capta a atenção dos adeptos de futebol noutros países.

Diz a Liga que a nossa está mais atrativa com uma média de 2,92 golos/jogo a maior numa primeira volta com campeonatos de 18 equipas e maior que as ligas espanhola, italiana e francesa, números indesmentíveis mas que não acompanham a qualidade do jogo, a competitividade, todo o espetáculo em si, com a envolvência das bancadas e de todos os intervenientes.

Duas ligas profissionais, a primeira e a segunda, com a melhor média de assistências desde que há registos, uma taxa de 43,46% de ocupação, num total absoluto de 2,14 milhões de adeptos nos estádios que, no entanto continuam a ter assistências absolutas abaixo dos 500 espetadores, dos mil, e dos dois mil, avançando depois a escala quando falamos de jogos onde intervêm Benfica, Porto, Sporting, Vitória e Braga. De resto é uma pobreza franciscana.

Ou seja, em conclusão, não colocando em causa a veracidade dos números porque eles são o que são, a perceção que todos temos em relação ao futebol português não é propriamente aquela que a matemática nos mostra.

Isso leva-me a fazer uma pergunta para a qual a resposta é muito complicada. Quem tem razão? Os números ou a nossa perceção?

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