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Santos Simões: um homem providencial

Francisco Brito
Opinião \ segunda-feira, dezembro 11, 2023
© Direitos reservados
Se Guimarães é hoje uma terra de liberdade, de solidariedade e de cultura, muito deve a Santos Simões.

Ao longo deste ano,  diversas instituições e associações de Guimarães tem homenageado o Dr. Joaquim António dos Santos Simões (1923- 2004) por ocasião do centenário do seu nascimento.

Nascido em Espinhal (Penela) em 1923, Santos Simões ingressou na Universidade de Coimbra onde cedo esteve ligado à vida cultural (nomeadamente no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra) e aos movimentos políticos de oposição à ditadura. Após terminar a licenciatura em Ciências Matemáticas e Engenharia Geográfica passou a residir em Guimarães onde foi professor.

Como é sabido, manteve sempre a sua actividade política como opositor ao Estado Novo (o que lhe valeu a visita da PIDE, a prisão, a expulsão do ensino e outros dissabores) e, ao longo dos anos, passou pelas mais relevantes instituições e associações vimaranenses, sendo também autor de inúmeras publicações sobre política, ensino, cultura, teatro, futebol, etc. O seu percurso de vida e exemplo cívico, por si só, é digno de nota e merecedor da nossa homenagem.

Mas, para Guimarães, Santos Simões foi mais do que um lutador pela liberdade e uma figura de grande cultura: foi um homem providencial.

Quando chegou a Guimarães em 1957, encontrou uma terra cinzenta, fechada e ensimesmada. Uma cidade com um tecido cultural antigo e sólido que, contudo, se encontrava longe das pessoas ou mais vocacionado para entretenimento do que para a cultura... Não desvalorizando o que já existia, Santos Simões soube acrescentar e conseguiu revolucionar. Fundou o Teatro de Ensaio Raúl Brandão (no Círculo de Arte e Recreio, então “Ritmo Louco”), fundou o Cineclube de Guimarães, esteve ligado à fundação da CERCIGUI, fez parte da Comissão Instaladora da Universidade do Minho, do Senado da UM, presidiu à Sociedade Martins Sarmento (a que trouxe uma maior abertura e onde criou o Museu da Cultura Castreja) e esteve ligado às mais diversas instituições e associações da cidade e do concelho.

É de louvar a vontade, a coragem e a visão de um homem que, tendo chegando na década de 50 a uma cidade como Guimarães e em plena ditadura, soube arriscar e implementar mudanças que só alguém de com uma grande dimensão intelectual e humana pode conseguir. Foi esta conjugação, entre a sua acção cívica e cultural e o tempo em que ela teve lugar, que fez de Santos Simões o homem certo no tempo certo.

O seu legado faz parte do quotidiano vimaranense e está hoje presente não só nas diversas instituições e associações que fundou e por onde passou, mas também em todo o panorama cultural vimaranense.

Se Guimarães é hoje uma terra de liberdade, de solidariedade e de cultura, muito deve a Santos Simões.

 

Obrigado Santos Simões!

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