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"Slow travel", a leveza de viajar devagar

Ruthia Portelinha
Opinião \ domingo, junho 27, 2021
© Direitos reservados
Vantagens do “lado devagar da força”? Desde logo uma dimensão humana mais intensa nas viagens, resultado do encontro genuíno com os habitantes, com o seu modo de vida, a sua cultura e o seu trabalho.

Houve um tempo em que tinha muita pressa de conhecer o mundo, encaixava um destino numa semana, não queria perder nenhum must-see e regressava cansada. Seria porventura fruto da impaciência da idade – tanto mundo para ver e tão poucos dias de férias - ou apenas resultado da sacralização do tempo em que vivemos. A verdade é que, como muitos outros turistas, nesta era da velocidade e da tecnologia, sentia a necessidade de rentabilizar o tempo da viagem. 

Se pudesse transmitir uma mensagem ao meu eu mais novo seria: “deixa-te seduzir pela arte de viajar devagar”. A filosofia das viagens lentas já atraía muitos adeptos antes da pandemia. Hoje surge como uma tendência fundamental, numa altura em que viajar se tornou mais difícil e precioso.

A primeira contestação cultural ao culto velocista deu-se com o movimento italiano Slow Food. Seguiu-se o conceito de Slow City, para promover um desenvolvimento diferente para as cidades. Da mesma forma, o slow travel traz todo um novo padrão de comportamento, oposto ao estilo de turismo que se afirmou no século passado, de charters, all-inclusive e excursões de grupo. Trata-se de procurar recantos menos turísticos e mais autênticos, descobrindo o que cada lugar tem de único e diferente.

 

 

Vantagens do “lado devagar da força”? Desde logo uma dimensão humana mais intensa nas viagens, resultado do encontro genuíno com os habitantes, com o seu modo de vida, a sua cultura e o seu trabalho. 

Viajar sem pressa facilita também jornadas mais sustentáveis, que limitam o impacto no meio ambiente e nas populações locais. Fazer um turismo sustentável é importante para garantir a sua continuidade: estar atento aos meios de transporte, escolher atividades que preservem a biodiversidade, consumir em lojas e quintas locais.

Mas a maior vantagem talvez seja pessoal: viajar devagar contempla uma mudança mental, retirando ansiedade do ato de viajar. Hoje sinto uma vontade gigante de viajar melhor, de ficar mais tempo e aprender sobre os hábitos locais, um abrandar que trouxe uma certa simplicidade e tornou as viagens muito mais significativas.

Percebendo que esta forma de viajar mais lenta e imersiva veio para ficar, a Alemanha apresentou recentemente duas estratégias turísticas sustentáveis: German.Local.Culture e Feel Good. A primeira quer dar a conhecer “sítios inesperados”, carregados de cultura e tradição, gastronomia (e cerveja), natureza intacta e atividades ao ar livre.

O segundo programa convida a desacelerar, a sentir-se bem, em segurança. Quem não quer relaxar num lugar remoto, depois de meses de (alguma) angústia pandémica? Seja em Brandenburgo, nos arrabaldes de Berlim, entre canoas em cursos de água florestais, ou na aldeia totalmente biológica de Schmilka, a escassos quilómetros de Dresden.

Fiquei a pensar que Portugal é o destino ideal para esta sustentável leveza de viajar sem pressas: uns dias entre os pastores da Serra da Estrela ou na doce preguiça de uma aldeia alentejana esquecida. Que propostas têm os leitores?

 

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