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Vinhos velhos, boa companhia

Paulo Mateus
Opinião \ segunda-feira, julho 04, 2022
© Direitos reservados
O consumidor brasileiro gosta dos nossos vinhos, adora conhecer novos rótulos e a história que se cria à volta deles.

Escrevo estas linhas de terras de Vera Cruz, onde me encontro a participar na grande Mostra de Vinhos de Portugal, organizada pelo Jornal Publico, Globo, Valor Económico e Vini Portugal. Somos mais de 80 produtores, que em seis dias mostram no Rio de Janeiro e São Paulo o que de melhor se produz em Portugal. Para Portugal, o mercado brasileiro tem um enorme peso; já somos o segundo país em termos de importações de vinho. O consumidor brasileiro gosta dos nossos vinhos, adora conhecer novos rótulos e a história que se cria à volta deles, adora vinhos do Velho Mundo, por isso esta aposta de todos os produtores neste mercado gigante.

À margem deste evento, tive o privilégio de receber um convite para um jantar com prova cega de vinhos, num dos restaurantes de referência do Rio de Janeiro, o Escama, onde Chico Buarque tem o seu cantinho reservado. Um restaurante para voltar e apreciar com mais calma a sua distinta gastronomia.

O jantar foi organizado por um brasileiro, amante e profundo conhecedor de vinhos de todo o mundo, uma pessoa extraordinária, que colocou a sua sabedoria e vontade natural de ver os outros felizes num jantar memorável e cheio de boas e divertidas histórias.

Da gastronomia moderna e elegante do restaurante não vou escrever, mas sim dos 35 vinhos que nos foram dados a provar, vinhos esses de algumas das regiões mais famosas do mundo, para podermos avaliar as diferenças de terroirs, castas, processos de vinificação, bem como o poder da longevidade de alguns vinhos, que envelhecem na garrafa, mas não perdem o seu aroma e sabor. Pelo contrário ganham uma maior elegância e uma exuberância na boca requintada.

Provar vinhos como o Echezeaux 2011, Santenay 2010, Château de Villars Fontain 2004, Moulin à Vent 2009, um Château Mussar 2010 (do Líbano, que grande vinho), um Pomerol de 1995 (que delícia), Chateauneuf-Du-Pape 2017, Château Margaux 2014, Barca Velha 2008, Pera Manca Tinto 2011, Château Fourney 1994, Pingus 2011, Rosa Evanescente Pinot Noir 2013,Vega Sicília, entre outros, foi inesquecível e um deleite para o meu paladar.

Todos os vinhos provados apresentaram um envelhecimento perfeito em garrafa, sem presença de oxidação, perfeição nos taninos e acidez e uma coloração âmbar fantástica, prova de que quando as castas são bem combinadas, a vinificação bem feita e o modo de conservação respeitado, temos, com toda a certeza, vinhos com uma longevidade capaz de nos surpreender com sua classe e elegância.

Como dizia Salvador Dali, acariciando os seus longos e finos bigodes: “Quem sabe de degustação, nunca mais bebe vinhos, mas experimenta os seus segredos”. E que bons segredos nos foram revelados numa noite carioca.

Obrigado Joaquim Mentor.

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