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Professor Marcelo animou Pimenta Machado para ganhar a Câmara de Guimarães

Redação
Cultura \ sexta-feira, fevereiro 10, 2023
© Direitos reservados
Luís Cirilo de Carvalho o convidado de “Conversas” numa viagem por algumas memórias das últimas décadas de Guimarães.

A participação ativa na comunicação social vimaranense, a militância no PSD e a difícil compatibilização entre o futebol e a política, lembrando a gorada candidatura de Pimenta Machado à Câmara Municipal de Guimarães.

Na juventude participou ativamente na comunicação social local, tanto nos jornais como nas rádios, intervindo na área do desporto, mas também no comentário à política local; não era uma “mistura perigosa”?

Explosiva! A minha participação radiofónica foi mais virada para o desporto. Depois, houve uma altura em que acumulava as duas coisas. Cheguei a ser deputado na Assembleia da República e secretário-geral do Vitória. Não era fácil porque às vezes em Guimarães, a política e o Vitória, a Câmara e o Vitória, tinham relações muito complexas. Compatibilizar o desporto, o futebol, e a vida política não é fácil.

Foi eleito pela primeira vez deputado municipal em 1989, coincidindo com a primeira vitória de António Magalhães; como recorda esses tempos?

Os seis mandatos que fiz na Assembleia Municipal foram sempre na oposição. Em 1989 o cabeça de lista do PSD era o Dr. Fernando Alberto Ribeiro da Silva, o nº 2 era o Eng.º Eurico de Melo, ao tempo Ministro da Administração Interna e vice Primeiro Ministro. Era uma lista muito forte e eu era um aprendiz. Perdemos as eleições e, sinceramente, foi uma surpresa. O Sr. António Xavier tinha feito um mandato interessante, com muitas dificuldades, mas a nossa expectativa era voltar a ganhar as eleições, ainda que sem maioria, e depois fazer acordos na Câmara como se tinham feito em 1985/1989. Mal! Mas isso é outra questão.

Na Assembleia Municipal convive com dois Presidentes de Câmara, António Magalhães e Domingos Bragança; como olha para esses dois presidentes?

São personalidades muito diferentes. Creio que António Magalhães tinha uma personalidade de líder. Foi ele que construiu a maioria do Partido Socialista; trabalhou para isso. Perdeu as eleições de 1985 e continuou a trabalhar. Era deputado na Assembleia da República, o que lhe dava a possibilidade de se dedicar à política a tempo inteiro, coisa que o PSD não percebeu na altura e não percebeu depois.

O Dr. Bragança é diferente. Cavalgou a onda do líder. Foi vice-Presidente com o Dr. António Magalhães e depois ao candidatar-se em 2013 com o Dr. António Magalhães a candidatar-se à Assembleia Municipal, manteve a imagem do líder ali ao lado e depois soube gerir as maiorias do Partido Socialista. O PS tomou conta de tudo, tornou tudo “subsídio-dependente” da Câmara e o Dr. Domingos Bragança tem sido um hábil gestor dessa dependência da sociedade civil em relação ao Partido Socialista.

Guimarães, nestes 50 anos de democracia, teve quatro ou cinco grandes figuras e o Dr. António Magalhães é seguramente uma delas.

Na década de 1980 há um interventor político muito ativo fora dos dois grandes partidos locais, o PS e o PSD, e que muito condicionou a vida política vimaranense.

Em 1985 o Vitória foi um participante ativo na campanha do Sr. António Xavier. Eu acho que António Pimenta Machado fez muitas coisas boas e algumas más enquanto presidente do Vitória e enquanto vimaranense. Porém, há uma coisa que eu sempre achei que ele fez corretamente: usou a política para servir o Vitória. Posicionou-se politicamente consoante aquilo que entendia que em cada momento era melhor para o Vitória.

Em 1985 era muito melhor para o Vitória ter como Presidente da Câmara Municipal um grande vitoriano, como é o Sr. António Xavier, que António Magalhães a quem nesse tempo não se conhecia qualquer tipo de simpatia pelo Vitória.

Em meados da década de 1990 falou-se na possibilidade de Pimenta Machado encabeçar a lista do PSD à Câmara Municipal de Guimarães; foi mesmo uma possibilidade real?

Com certeza! Essa hipótese surgiu numa conversa entre mim e o Emídio Guerreiro. Pimenta Machado era indiscutivelmente a personalidade mais conhecida de Guimarães e na altura o Vitória estava no auge. O líder do Partido era o Professor Marcelo Rebelo de Sousa e, numa viagem de avião, os dois ter-se-iam encontrado e o Professor Marcelo animou Pimenta Machado a avançar para ganhar a Câmara de Guimarães.

Porém, a linha tradicional concelhia, que não gostava de Pimenta Machado, começou a minar junto de pessoas próximas do Professor Marcelo, nomeadamente Manuela Ferreira Leite, Leonor Beleza, José Luís Arnaut e Marques Mendes, que foi um dos “ponta de lança” da sabotagem dessa candidatura. Fizemos um plenário concelhio e 90% foram favoráveis à candidatura, mas foi vetada pela direção nacional do partido. Numa reunião, em Lisboa, com a comissão autárquica do partido, disseram-me que não aceitavam e propuseram em alternativa ser eu o candidato, com a garantia que nas eleições seguintes seria candidato a deputado. Não aceitei e reafirmei que se a candidatura apoiada pela concelhia não fosse aprovada eu saía. E saí!

António Magalhães

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