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A continuidade da Cidade…

Filipe Fontes
Opinião \ terça-feira, setembro 01, 2026
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Na verdade, a cidade tem história, gera legado e herança, aceita mudança e alteração, necessita de melhoria e actualização.

O momento é de regresso e retoma após férias e tempo de ócio, actividade laboral deixada em pousio ou projectos emergentes e de novos horizontes.

Para muitos, do ponto de vista operacional e prático, é o começo de um “novo ano” com o ajustamento de rotinas, horários e novas [ou cíclicas] tarefas.

Nada de novo se a ideia de continuidade, fatalmente associada à vida, não tiver sido relativizada ou contida em sombra. Na verdade, nada para ou se interrompe, apenas, e temporariamente, nos reinventamos e nos posicionamos doutra forma para interagir com o mundo e com as pessoas. É verdade que o fazemos, regra geral, de forma muito diferenciada e distinta - ao ponto de termos necessidade de criar nome próprio para esse tempo – mas não deixa de ser também evidente e inevitável que nada fica estanque e, no regresso, não encontramos o “tempo suspenso e cristalizado à nossa espera”, antes tempo passado que não se sumiu ou resolveu por artes mágicas, que continua a condicionar e a marcar o ritmo, a abrir possibilidades sem deixar de “fechar outras” … afinal, é assim a vida!

Na Cidade, tal continuidade é ainda mais visível e inata. Pode ficar mais adormecida ou menos pressionada, menos movimentada ou menos geradora de relações e trocas. Pode ficar mais sonolenta ou indolente, mais silenciosa ou monótona [duvida-se perante o afã festivo, turístico e tanto mais que se adivinha predador da qualidade do espaço público], mas a mesma não deixa de existir e viver, de respirar e gerar quotidiano, não se eliminando os seus problemas pela simples ausência, não se formulando novos projectos e concretizações, por mera e mais disponibilidade “física e mental”. Antes pelo contrário!

Assim, e a reboque da leitura estival realizada, da qual se destaca frase adaptada “as ruas já cá estavam quando nasci e aqui vão continuar. Esse sentido de continuidade entre seres humanos dado pela cidade é uma imagem muito forte”, fica o desejo de que, neste tempo de regresso, retoma ou reinvenção, saibamos ler e compreender a Cidade, insistindo no seu entendimento, persistindo na sua melhoria, insistindo no diálogo e convergência, nunca desistindo de sonhar “mais e melhor”, na certeza de que é sempre possível acrescentar, corrigir, melhorar, elevar, nunca abstraindo da continuidade e perenidade que assiste à Cidade, ou seja, que é feita de um passado que importa compreender e interpretar, num presente que importa aproveitar e concretizar e um futuro que a todos pertence e melhor será se todos para ele colaborarem e convergirem! Na verdade, a cidade tem história, gera legado e herança, aceita mudança e alteração, necessita de melhoria e actualização. Tem de ser contemporânea com perspectiva de futuro e suporte do passado. Ou seja, e numa palavra: cosmopolita!

Com recurso a nova citação livre e adaptada “… que a cidade saiba colocar tudo o que é em tudo o que faz!”

Se assim for, será bom regresso! Que assim seja!


Filipe Fontes

Arquitecto (texto escrito ao abrigo do anterior acordo ortográfico)

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