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Abril

Luísa Alvão
Opinião \ terça-feira, abril 13, 2021
© Direitos reservados
Nos debates presidenciais das últimas eleições, Vitorino da Silva talvez tenha sido o candidato com as melhores expressões.

Entre muitas das suas tiradas, a que me é mais cara, é aquele em que se referindo ao impronunciável candidato chunga, nos diz que há pessoas para quem o ano só tem 11 meses, em Março salta logo para Maio. Mas independentemente da vontade desse senhor, Abril chegou.

Para além dos depoimentos dos nossos círculos pessoais sobre a Revolução dos Cravos e sobre o Estado Novo, o nosso primeiro contacto com estes temas será na escola. Aprendemos que Portugal conquistou meio mundo e que teve início em 1415 com a Conquista de Ceuta e que terá terminado em 1974, numa revolução que pôs fim à Guerra Colonial (1961-1974). Louvamos muito a coragem dos Portugueses que saíram por esse mundo foram e “deram novos mundos ao mundo”. Mas falamos pouco sobre como conquistamos esses mundos, como é que o Império funcionava e como era a relação das colónias com a metrópole. Da mesma forma que, quando falamos da Guerra Colonial, também não falamos sobre a relação entre colonos e colonizados e nem exploramos as razões que levaram ao surgimento dos movimentos independentistas.

Raquel Varela afirma que a Revolução dos Cravos começou em Angola em 1961, com o início da luta armada pela independência. Os angolanos foram, de facto, os primeiros portugueses (na época) a lutar pela liberdade e a insurgiram-se contra o colonialismo, contra os trabalhos forçados, contra a violência.

Como portuguesa, sinto orgulho da coragem de um povo que, sem saber o que estaria à sua frente, não hesitou em sair à descoberta. O Império português englobava territórios que hoje correspondem a 53 países. Actualmente, a ONU declara que no mundo existem 193 países, logo mais de 25% dos países de todo o mundo já foi português. Isto significa que mais de 25% do mundo teve contacto com a língua e a cultura portuguesas e que a nossa cultura e forma de vida resultam dessa troca cultural tão vasta. E esta ideia apaixona-me, mas também me envergonha se pensar na forma violenta e humilhante como nos apropriamos de territórios, recursos e pessoas.

Sem uma discussão aberta e sem entendermos as consequências do nosso passado, como país, não vamos conseguir fazer as pazes com a nossa história.

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