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Luísa Alvão
Opinião \ terça-feira, julho 06, 2021
© Direitos reservados
Quando fui convidada para partilhar os meus pensamentos aqui, a única regra que defini para mim mesma foi que não falaria da pandemia ou das experiências de confinamento.

São várias as razões que me levaram à instituição desta regra, sendo a mais importante, a de que estou absolutamente farta de tudo o que tenha a ver com o novo coronavírus, Covid-19, pandemia. Não só estou farta da situação em que colectivamente nos encontramos, como estou farta também de ouvir e ler chorrilhos, mentiras e invenções de pessoas para quem aparentemente anos de trabalho e de formação académica numa determinada área equivalem a uma tarde a ver vídeos no Youtube.

Adiante.

No momento em que escrevo estas linhas, estou a dias de apanhar a primeira dose da vacina. Relembro o meu entusiasmo quando percebi que eu já poderia fazer o auto-agendamento. Nunca antes tinha pensado que entusiasmo e vacina poderiam conviver na mesma frase, mas parece que isto também faz parte do novo normal: o entusiasmo com a ciência e os avanços rápidos da medicina, como a única forma de nos salvaguardar desta ameaça invisível, que tanto alterou a nossa forma de vida.

Dizia-me uma amiga no dia que apanhou a vacina, enquanto esperava no recobro, confessando-se quase emocionada porque “as pessoas estão aqui todas juntas, a acreditar na ciência e a fazer algo para a vida voltar ao normal”. A fazer o que está ao nosso alcance, “nosso” do cidadão comum, para além do uso de máscara e estragar a pele das mãos com o álcool-gel.

Escolhi quebrar a minha regra auto-imposta porque o momento parece-me ser de esperança. Pessoas que há uns meses me diziam que não queriam ser vacinadas, agora foram, porque apesar do medo que estas novas vacinas possam estar a suscitar, percebem que a ameaça é muito superior aos riscos secundários e que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para nos mantermos protegidos é, também, um acto de cidadania.

Com todos os defeitos e carências deste país, a luta contra esta pandemia serve acima de tudo, para nos mostrar, a importância de um Serviço Nacional de Saúde universal e tendencialmente gratuito, que embora imperfeito, é o nosso único garante do acesso a serviços de saúde, independentemente da nossa capacidade económica. Teremos todas e todos uma longa luta de recuperação económica após esta crise sanitária, mas em Portugal, ninguém fica sobrecarregado de dívidas, porque teve o azar de necessitar de ser hospitalizado. Pode parecer pouco, mas para mim, é incrível.

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