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Novos rumos para a saúde em Guimarães?

Prof. Dr. José Cotter
Opinião \ quarta-feira, janeiro 24, 2024
© Direitos reservados
Espera-se legitimamente no respeitante à política de saúde futura, que esta se abstenha de fundamentalismos ideológicos.

O Conselho de Administração do Hospital da Senhora da Oliveira – Guimarães terminou o seu mandato. Nova administração foi nomeada, esta com um âmbito novo, já que vai administrar, juntamente com alguns elementos vindos dos cuidados de saúde primários, a nova Unidade Local de Saúde do Alto Ave. A nomeação em si, tal como todas as demais no país, tem critérios políticos, isto é, acima de tudo, emana da confiança do poder central, não se relacionando com critérios técnicos ou méritos profissionais. Nada de novo, pois desde há longos anos assim acontece em Portugal. A esta forma de actuar não é alheia a situação única, lastimável e preocupante a que o Serviço Nacional de Saúde chegou, prejudicando todos os cidadãos com especial destaque para os mais necessitados.

As administrações fazem o que podem, por vezes mais do que podem, mas estão asfixiadas por um poder central autocrático, refém de dogmas ideológicos, desfasado das necessidades do quotidiano assistencial, que ignora os seus quadros técnicos no que diz respeito a proporcionar-lhes as melhores condições de trabalho para que se possam optimizar as prestações assistenciais. Tudo isto está interligado. No interesse de todos, é legítimo esperar que esta nova administração tenha o maior apoio de forma a que consequentemente tenha o sucesso que todos desejam. 

O anterior Presidente do Hospital, Henrique Capelas, fez o que pôde e que foi muito. Com a bravura de um transmontano que é, pragmático por natureza, conseguiu ultrapassar muitas dificuldades, dando o melhor de si próprio. Obviamente que, para além do muito que resolveu, deixou situações para resolver no futuro, que por isto ou por aquilo não houve tempo nem apoio central para resolver e que transitam inevitavelmente para a actual administração. O Hospital tem pontos fortes e pontos fracos. E estes é que é preciso resolver com urgência.

Alguns serviços estão subdimensionados não se conseguindo expandir para melhorar a sua actividade, há equipamentos que estão decrépitos e necessitam de ser substituídos, os doentes não podem continuar a ter de se deslocar ao exterior, bem longe, para efectuar exames complementares que por falta de agilização na recuperação ou renovação dos equipamentos existentes, originam demoras, incómodos, incompreensíveis aumentos de custos e acréscimo de risco para os que deles necessitam. E tem de haver autonomia para contratar os melhores, os que são necessários, os que podem engrandecer a qualidade do nosso hospital.

Tendo em atenção, a nível nacional, o descalabro actual a que se chegou e que todos infelizmente conhecem, espera-se legitimamente no respeitante à politica de saúde futura, que esta se abstenha de fundamentalismos ideológicos e que exista o bom senso de efectuar acordos de regime que permitam um desenvolvimento harmonioso, um investimento assertivo, uma actualizaçao técnica adequada, uma eficácia acrescida, uma resposta pronta, que permitam ter profissionais entusiasmados e um reconhecimento da população, como já houve outrora, num sistema nacional de saúde que a proteja, que dela cuide em momentos difíceis, como é legitimo aspirar. Não podemos desanimar!

A começar pela nova administração da ULS do Alto Ave, que ao aceitar a sua nomeação implicitamente se responsabiliza por assegurar cuidados de saúde de qualidade para a população de Guimarães no âmbito do SNS, tendo a obrigação de encontrar as soluções que vão ao encontro das legitimas aspirações da população que serve e ao mesmo tempo elevar qualitativamente os cuidados de saúde regionais. Assim se espera, assim se exige!

PROF. DR. JOSÉ COTTER - (DIRECTOR DO SERVIÇO DE GASTRENTEROLOGIA DO HOSPITAL DA SENHORA DA OLIVEIRA – GUIMARÃES)

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