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O hospital e o poder local

Prof. Dr. José Cotter
Opinião \ quarta-feira, setembro 22, 2021
© Direitos reservados
O que pensam as forças políticas locais sobre a instituição hospitalar e sobre o seu futuro?

Estamos em período próximo de eleições autárquicas em que as diversas forças políticas apresentam os seus programas eleitorais locais, na legítima perspetiva de conseguirem o voto dos eleitores. É expectável que nesses programas sejam vertidas as ideias das listas candidatas sobre as instituições e problemas que a nível local estarão sob a sua alçada, ou sobre as quais terão uma palavra a dizer pelo interesse supremo que terão para as populações que representam, ou ainda sobre as quais possam ter influência junto do poder central. Isto revela-se muito importante num país que continua a ter uma centralização excessiva, com pouca autonomia das administrações locais das respetivas instituições públicas. É aí que uma autarquia poderosa pode ter um papel relevante a desempenhar, não só através de uma permanente informação sobre os principais problemas dessas instituições, mas essencialmente na magistratura de influência ou mesmo reivindicação junto do poder central que contribuam para a resolução desses problemas tão celeremente quanto possível.

Em Guimarães, o hospital público (denominado Hospital da Senhora da Oliveira – Guimarães), é uma das principais instituições da cidade e do concelho. Não só pela sua dimensão enquanto entidade empregadora, mas essencialmente pela sua responsabilidade assistencial regional, num tempo em que qualquer cidadão legitimamente aspira a ter, quando necessita, um hospital que o assista rapidamente, de forma eficaz, com os meios humanos e técnicos corretos, com condições humanas dignas e com conforto adequado.

Ora o Hospital de Guimarães integra-se numa rede hospitalar do Serviço Nacional de Saúde, que sem querermos de forma alguma politizar a questão e sem esconder as suas reais virtudes, apresenta deficiências e carências múltiplas que estão identificadas na generalidade e que têm, conforme os diferentes polos, insuficiências específicas e diferentes entre si. E a resolução destas, uma vez que o poder central é o verdadeiro financiador, passa por este, uma vez alertado pelas estruturas locais, nomeadamente pelas respetivas administrações hospitalares. E é aqui que deve incidir o papel das autarquias. Não só como mais um (forte) elo de ligação com o governo, mas também como uma entidade que possa reivindicar, influenciar, exigir, em prol dos cidadãos que representa.

O atual Hospital de Guimarães, com cerca de trinta anos de existência, é hoje uma instituição enorme, diferenciada, à qual praticamente todos os cidadãos da região ao longo da sua vida vão ter de recorrer. Por isto ou por aquilo. E por isso não deixa de ser estranho ainda não se ter ouvido nada neste período pré-eleitoral sobre o que pensam as diferentes forças políticas locais sobre esta importante instituição pública do concelho. O que pensam e o que tencionam fazer para ajudar a resolver os principais problemas? Ou será que entendem que tudo está bem? As consultas são atempadas? As cirurgias efetuam-se em tempo útil? As instalações são adequadas, ou precisam de obras urgentes e de um redimensionamento adequado para as necessidades atuais? O número de profissionais é adequado para permitir uma necessária produtividade e com humanização indispensável? O acesso à urgência estará bem coordenado com os médicos de família? Se sim, porque continua completamente excessivo, deteriorando assim as prestações assistenciais? Os acessos rodoviários estão otimizados? Há instalações subaproveitadas por razões que ultrapassam a administração local?

Estas são apenas algumas questões que seria interessante apreciar e dar a conhecer. Nomeadamente pelos políticos que nos pretendem governar localmente nos próximos anos. E que terão uma enorme responsabilidade, ao serem fiéis depositários do voto dos cidadãos, em ajudar a resolver de forma ativa e responsável os problemas importantes (que neste caso podem representar a diferença entre a vida e a morte) das populações que representam. Porque cada vez mais, até certo ponto infelizmente, apenas quem consegue chegar aos centros decisórios do governo, consegue colher os frutos desejados. Que neste caso serão sempre extremamente bem-vindos!

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