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Excesso de peso – uma pandemia de efeitos retardados

Prof. Dr. José Cotter
Opinião \ terça-feira, junho 22, 2021
© Direitos reservados
O excesso de peso é um dos principais contributos para as doenças graves que mais assolam a população.

O excesso de peso é hoje um dos problemas de saúde mais frequentes na sociedade contemporânea. Com uma evolução assinalável nas últimas décadas, será conveniente refletir um pouco sobre algumas causas para tal acontecer.

Em primeiro lugar, as alterações dos hábitos alimentares. Vai longe o tempo em que a generalidade das famílias tinha sistematicamente sopa nas duas refeições principais e terminava com uma sobremesa de fruta.

Hoje é frequente dispensar-se a sopa, comer muitos doces e bebidas açucaradas, e substituir a normal refeição “de garfo e faca” por fast food com muito pão e gorduras à mistura, tornando as refeições hipercalóricas. Associadamente as pessoas adquiriram o hábito de fazer apenas duas ou três refeições por dia, fazendo-as mais abundantes por chegarem a essa hora com uma fome aumentada consequente ao facto de estarem há longas horas sem comer. Para complementar, existe um sedentarismo maior que a sociedade nos impõe, desde inúmeras profissões sedentárias, até aos mais comuns gestos do quotidiano que são realizados sem qualquer esforço e sem que tenhamos de nos levantar da cadeira. Além disso, todas as deslocações se fazem de carro e diminuiu-se muito o andar a pé, porque a sociedade nos impõe horas, uma sufocante ocupação do tempo, um frenesim contínuo, um stress acrescido.

A soma de todos estes fatores, associados a muitos outros (genéticos, metabólicos, inerentes à evolução da idade e à menor mobilização), contribuem para que, em Portugal, cerca de 40% da população adulta (25-74 anos) tenha excesso de peso e 29% sofra mesmo de obesidade.

O problema principal é que o excesso de peso acarreta uma cascata de problemas infindáveis, levando ao aparecimento de valores elevados de colesterol, hipertensão, diabetes, doenças do fígado, risco cardiovascular (enfartes cardíacos, AVC, etc.), aumento da incidência de cancro, contribuindo ainda para uma acelerada degradação óssea e articular com consequente perda da qualidade de vida.

Em conclusão, o excesso de peso é um dos principais contributos para as doenças graves que mais assolam a população. Torna-se por isso essencial fazer uma alimentação regrada, sem excesso de calorias, do tipo da dieta mediterrânica (com muita água, legumes, fruta, peixe, azeite e derivados do leite), reintroduzir a muito saudável sopa de legumes no início das refeições (motivando desde logo um preenchimento parcial do estômago e inibindo o apetite subsequente) e fazer exercício físico regular, se possível diário ou o mais próximo disso.

Estas são atitudes essenciais para combater esta pandemia de efeitos retardados que é o excesso de peso, que além de ter consequências deletérias contribui enormemente para a perda da qualidade de vida. Estas normas, pedagogicamente, devem ser incutidas precocemente aos jovens, de preferência em tempos escolares, pois terão de ser encaradas como regras educacionais. É que, infelizmente, complicações diretas ou indiretas do excesso de peso vão sendo cada vez mais uma triste realidade que cada vez mais faz parte das “crónicas da vida de um médico”.

 

Nota: artigo de opinião publicado originalmente na edição #03 do Jornal de Guimarães, a 18 de junho de 2021

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