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SNS arruinado. Nada será como dantes!

Prof. Dr. José Cotter
Saúde \ segunda-feira, novembro 20, 2023
© Direitos reservados
Uma realidade perigosíssima para a saúde das populações, que perante uma verdadeira situação de urgência, não tem atualmente onde recorrer ou, se o fizer, tem de percorrer longos quilómetros.

O conflito do poder político com os profissionais de saúde, nomeadamente com os médicos, arrasta-se no tempo. E as urgências hospitalares vão fechando progressivamente, algumas por especialidades apenas e outras na sua totalidade. Atingindo várias instituições, inseridas em importantes centros habitacionais um pouco por todo o país, como são exemplo no norte as cidades de Chaves, Mirandela, Ponte de Lima, Braga, Viana do Castelo, enfim uma quase infinidade.

Esta situação inédita em Portugal, que antes de mais traduz a incompetência da nossa classe política, que não sabe programar atempadamente por forma a prevenir as catástrofes subsequentes, traduz-se numa realidade perigosíssima para a saúde das populações, que perante uma verdadeira situação de urgência, não tem atualmente onde recorrer ou, se o fizer, tem de percorrer longos quilómetros. O que em saúde pode representar a diferença entre viver e morrer. Hoje uns, amanhã nós. Nunca visto!

Espera-se, embora não se saiba quando, que este conflito se resolva e que impere o bom senso por forma a que, tão breve quanto possível, os cuidados de saúde voltem a funcionar de forma tão normal quanto possível. Importa agora questionar se depois tudo voltará a funcionar como dantes. A resposta é um peremptorio NÃO! Porque a medíocre classe política que nos tem governado, pouco sensível para as necessidades das populações, não consegue entender o quanto é necessário um Serviço Nacional de Saúde (SNS) eficaz, bem apetrechado de recursos humanos e técnicos, humanizante, abrangente, em que os profissionais se sintam realizados, o que levará a melhores prestações e resultados melhorados. Acontece que sem profissionais motivados tal não é possível.

As condições de trabalho são, na generalidade dos casos, muito deficientes, as remunerações baixas, as exigências horárias e a sua rigidez imensas, o desgaste acumulado enorme, o burnout frequente. Mas o que é notório é o desalento que se instalou e o sentimento de repulsa dos profissionais pela governança que sobre eles se exerce. E sem reverter estes factores, não será possível contra os profissionais, elevar os índices de eficácia e satisfação do sistema. Acresce a enorme debandada de recursos humanos do SNS para o sector privado e para o estrangeiro, rara e incompetentemente colmatada de forma eficaz, o que agrava ainda mais as situações em termos de resposta célere e de qualidade.

As consultas estão atrasadíssimas, as cirurgias e os exames complementares igualmente, as instalações para o internamento não chegam para as necessidades. Em resposta, a tutela propõe-se remunerar melhor os médicos que menos medicamentos e exames complementares prescrevam! E como se não bastasse, o mais alto responsável pelo SNS (o seu próprio diretor executivo) surpreendentemente reconhece que o caos vem aí. Não alvitrando soluções, não as procurando eficazmente, denotando uma arrepiante incapacidade e incompreensão. Em resposta, os cidadãos que sabem que a sua maior riqueza é a sua própria saúde, apesar de asfixiados pelos impostos que pagam, têm de recorrer a meios próprios para se poderem tratar atempadamente e fazerem os exames e as consultas de que necessitam.

Os protagonistas políticos conseguiram arruinar o SNS e só com grandes reformas e sedução de profissionais de qualidade se poderá reverter a situação, o que demorará anos, tendo em atenção o ponto a que se chegou. Que fique claro que os médicos que nas actuais condições continuam a prestar serviço no SNS têm acima de tudo um sentimento de solidariedade assinalável, mas as linhas vermelhas são constantemente ultrapassadas e tudo tem um fim. No futuro, para preservarmos a nossa saúde, teremos de encontrar soluções que devido à ineficácia patenteada pelo SNS, passarão obrigatoriamente por outros caminhos. Aos nossos políticos o devemos.

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