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Comunidade internacional: é tempo de o medo conhecer a coragem

Carlos Caneja Amorim
Opinião \ terça-feira, março 08, 2022
© Direitos reservados
A História não se repete, mas, o eterno retorno da maldade só apanha desprevenido quem optou por viver para sempre na adolescência no discretear sobre a realidade política e cívica.

Todos os cidadãos inteiros, mentalmente adultos, de pensamento livre e atentos ao devir do mundo, se aperceberam que seria uma questão de tempo para Putin deixar de ser uma simples ameaça à Ordem Internacional Contemporânea. Esta perceção do belicismo imoral Russo e das suas, mal disfarçadas, tentações imperialistas, tem décadas, e tudo ficou assaz documentado em canal aberto, à vista de todos. Francis Fukuyama, sofisticado e vanguardista filósofo e investigador político, defendeu, no seu livro “O Fim da História e o Último Homem”, a célebre tese de que a generalização das Democracias Liberais à escala mundial indiciava que estávamos perante a última etapa da evolução político-social da sociedade. Mas, nem tudo o que parece é, nem tudo que é formal é substancial e nada é estático, tudo se transforma, sendo impossível de discernir, e muito menos, garantir, uma linha ou direção no evoluir da História.

Na Ucrânia, estamos perante uma ação militar de guerra, premeditada, deliberada, gratuita e arbitrária, logo, ignóbil e torpe, tendo, como primordial razão de ser, delírios psicopatas e imperiais de um líder que quer construir uma imagem diferente daquela que vê no espelho. Espelho esse, que sendo da grandiosidade das telegénicas mesas do Kremlin, a imagem que reflete é de um homem pequeno em todas as suas dimensões espirituais. A mesquinhez intelectual, a indigência cultural, e o “Complexo de Napoleão” de Putin são a pulsão matriz que o transforma em criminoso de guerra, com superlativa reincidência: Chechênia, Síria e Ucrânia.

Tenho por firme que Putin não leu Pushkin, Dostoiévski, Soljenítsin e Tolstói, e outros intelectos brilhantes da riquíssima literatura Russa. Até porque, partindo da usa ideia peregrina que a Ucrânia é um país de ficção, sem substância como Nação, ele acaba de garantir, com esta guerra criminosa, de forma insofismável, que a Pátria Ucraniana é uma realidade e que existirá para todo o sempre. O colossal e carnal sentimento de injustiça, a infame perda de vidas, a dor incomensurável causada, as memórias que ficam e abraçam a eternidade, serão o cimento imaterial/espiritual que vai iluminar e unificar para sempre o Corajoso Povo Ucraniano. E, tal facto, está para além de geografias, fronteiras e capitais: ser Nação, ser Pátria, é, antes de mais, um sentimento de uma espiritualidade profunda, um estado de alma incondicional, uma irmandade de afetos.

Após o infame ataque, ninguém contava com a coragem do extraordinário Povo Ucraniano, nem mesmo a Comunidade Internacional. Esta, em plurais latitudes e longitudes, falhou em toda a linha na antecipação do problema, e tardou, de forma assaz censurável e condenável, a reagir após o facto consumado da selvagem agressão do Sr. Putin. É tempo de a resposta ser mais real, concreta, eficiente, eficaz e robusta. É tempo de fazer da Rússia do Sr. Putin um Estado Pária, isolado politica e economicamente de todo o mundo e vinculando a China, responsabilizando-a pela aplicação das sanções: até a Suíça percebeu que face a esta atroz Guerra nada nem ninguém pode refugiar-se em lógicas de neutralidade. Perante Crimes Contra a Humanidade, no limite do genocídio (sendo o segundo, contra o Povo Ucraniano, após, o Holodomor), todos devem rasgar o silêncio, falar alto e claro e agir sem tibiezas e com a máxima contundência, mostrando ao medo a grandeza da nossa coragem.  

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