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Credenciação

Gonçalo Cruz
Opinião \ sexta-feira, outubro 30, 2026
© Direitos reservados
Mais do que uma marca de qualidade dos serviços prestados, a credenciação de um museu é a garantia da prossecução da sua missão.

No passado dia 30 de setembro, o Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento foi formalmente credenciado pela Rede Portuguesa de Museus. A cerimónia foi um dos momentos altos do Encontro Anual da Rede, em Ponta Delgada, com a credenciação de quatro novos museus que, juntamente com outros 175 equipamentos museológicos portugueses, passaram a fazer parte do sistema gerido pela Museus e Monumentos de Portugal.

A Rede Portuguesa de Museus foi criada em 2000 e procura assegurar os padrões de qualidade, rigor e profissionalismo no cumprimento das diversas funções culturais e sociais dos museus. Mas mais do que uma marca de qualidade dos serviços prestados, a credenciação de um museu é a garantia da prossecução da sua missão, a observação dos procedimentos técnicos e científicos, a preservação dos acervos e a sua disponibilização pública.

Poderá causar alguma estranheza que um dos mais antigos museus do nosso país, o Museu Martins Sarmento, só agora integre esta Rede. Contudo, este percurso reflete a própria complexidade da adaptação dos requisitos técnicos da credenciação às especificidades dos museus sob gestão associativa. Num contexto em que entidades sem fins lucrativos asseguram a preservação de patrimónios vastos e heterogéneos com recursos limitados, a concretização desta etapa é o resultado de um longo esforço de adequação aos exigentes padrões do sistema museológico nacional.

Secção de Epigrafia do Museu Martins Sarmento.

De facto, as coleções e o património da Sociedade Martins Sarmento, que faz 144 anos no próximo dia 21 de novembro, foram-lhe confiados não apenas pelo seu patrono, mas por diversas individualidades que ao longo de mais de cem anos têm vindo a ampliar o acervo da instituição. O Museu Martins Sarmento, polinucleado entre o histórico espaço original no claustro de São Domingos de Guimarães e a extensão no Solar do Ponte, em São Salvador de Briteiros – tendo sempre implícita uma ligação umbilical à Citânia de Briteiros – tem agora novas obrigações, mas também a possibilidade de partilha de experiências e de entreajuda com outros equipamentos credenciados.

Um importante passo para a Cultura, para Guimarães e para Portugal.

 

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