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Dar novos rostos às ruínas da Citânia

Gonçalo Cruz
Opinião \ terça-feira, outubro 11, 2022
© Direitos reservados
"Optou-se por investir numa abordagem performativa que fizesse, de certa forma, reviver o velho castro com rostos humanos reais, que nos transmitam as vivências e anseios dos velhos "castrejos".

Teve lugar, há pouco mais de uma semana, uma nova edição da "Citânia Viva", um evento de animação histórica realizado anualmente pela Casa do Povo de Briteiros, marcando o regresso às ruínas da Citânia, depois da interrupção pandémica. Tendo já um longo percurso, esta iniciativa foi evoluindo de um esforço – em parte, inglório – de recriação histórica, para um espetáculo evocativo. Com o passar dos anos, foi-se concluindo que nunca se conseguiria retratar fielmente um cenário da Idade do Ferro, ou da fase da romanização, sem os meios e ferramentas das grandes produções cinematográficas. Optou-se então por investir numa abordagem performativa que, inspirada na época e nas suas conceções materiais e culturais, fizesse, de certa forma, reviver o velho castro com rostos humanos reais, que nos transmitam as vivências, os pensamentos, as preocupações e anseios dos velhos "castrejos".

Bruno Laborinho, autor do espetáculo Pedra Formosa, representado pela primeira vez na Citânia de Briteiros no ano da Capital Europeia da Cultura, Guimarães 2012, preparou, dez anos depois, uma sequela dessa peça, a que chamou "O Regresso de Libéria". Recorrendo às informações das fontes clássicas, a alguns dados arqueológicos e à criatividade necessária para construir um enredo, cujo espaço temporal é o século segundo antes da nossa Era, o espetáculo evoca assim as guerras da República Romana na Península Ibérica, a agitação que as mesmas provocaram nas comunidades indígenas, as diferentes reações à presença romana, materializadas em comportamentos distintos e interrelacionados. A morte, o sangue, o território, a fidelidade, a traição, o misticismo, a paixão, são tudo palavras-chave do espetáculo agora criado, que ora evoca personagens históricas reais, como Viriato ou Quinto Servílio Cipião, ou fictícias, como Libéria, Pusinca e Túrio.

Deram vida a este espetáculo os atores Jaqueline Rodrigues, Filipa Silva e José Pedro Vaz, com a colaboração do Grupo de Teatro Citânia, "a jogar em casa". Um exemplo de dinamismo cultural num dos extremos do Concelho.

 

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