skipToMain
ASSINAR
LOJA ONLINE
SIGA-NOS
Guimarães
19 maio 2024
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

Escavações na velha Citânia, em Briteiros

Gonçalo Cruz
Opinião \ terça-feira, julho 19, 2022
© Direitos reservados
surgem também agora os vestígios da ocupação da mesma zona na Idade do Ferro, o que nos indica, desde logo, que a ampla extensão do povoado se inscreve no período anterior à presença romana nesta zona

Decorre na Citânia de Briteiros uma nova campanha de trabalhos arqueológicos, incluindo registo gráfico, fotográfico e escavação, realizados através de uma habitual cooperação entre a Sociedade Martins Sarmento, a Universidade do Minho e a Casa de Povo de Briteiros.

De facto, se o caráter precoce da "descoberta" e escavação das ruínas da Citânia, a imortalizou na história da nossa Arqueologia, também nos privou de alguma informação que é hoje possível recolher, mas que não era em 1874, nem mesmo em 1950. As curtas e limitadas campanhas que se têm realizado no velho oppidum castrejo desde 2005 têm sido determinantes para o conhecimento do local, que guarda ainda preciosa informação histórica, sendo que todos os anos se têm recolhido novos dados. Isto contrariando quem ainda acha que já se sabe tudo sobre os castros, ou aqueles que creem que o conhecimento histórico se limita à interpretação das fontes escritas, muito limitadas, como sabemos.

Além de escavações pontuais, motivadas por circunstâncias específicas, como a valorização do Balneário Sul, em 2007, ou um saque ocorrido no Balneário Este, em 2016, os trabalhos têm sido realizados em três espaços domésticos: a "Casa da Espiral" e a "Casa de Auscus", ambas na acrópole e uma terceira casa de família localizada na encosta, onde se tem escavado desde 2018. É este último espaço, construído no século I da nossa Era, que se estuda por estes dias, na que deve ser a última campanha nesta zona.

Além dos restos de uma prensa, de azeite ou de vinho, que fazia parte da casa "romana", e que é um raro exemplo antigo de tal estrutura a norte do Douro, surgem também agora os vestígios da ocupação da mesma zona na Idade do Ferro, o que nos indica, desde logo, que a ampla extensão do povoado se inscreve no período anterior à presença romana nesta zona. 

As campanhas anuais são também uma oportunidade para a realização de limpeza e registo de várias estruturas que, embora visíveis há muitos anos, nunca foram interpretadas de forma clara, ajudando assim a construir uma leitura mais fundamentada ou informar futuros trabalhos de escavação.

No próximo dia 25 de Julho, pelas 18h, assinalando o Dia da Arqueologia, será feita uma visita ao local, revelando ao público alguns dados agora recolhidos.

Podcast Jornal de Guimarães
Episódio mais recente: O Que Faltava #73