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Futuroscope: uma proposta revolucionária para o Norte do concelho (Avepark)

Carlos Caneja Amorim
Opinião \ terça-feira, abril 02, 2024
© Direitos reservados
Seria, de facto, estruturante lançar-se um projeto conjunto de dimensão europeia, criador de postos de trabalho qualificados e bem remunerados e sem carecer de especiais necessidades de mobilidade.

Salvar e enriquecer a democracia também passa por resgatar a figura do Protagonista Político e, para isso, importa que a ação política tenha mais dimensão de ação e de fazer acontecer e menos “Novos do Restelo”, atletas de alta competição no puro diagnóstico. Por muita adrenalina coletiva que cause a voz grossa e popularucha daqueles que apontam o dedo e falam sobre o estado a que chegamos, será sempre uma questão de tempo para que todos percebam que a “novidade” não passa de velha e caduca política. Em boa e justa verdade, somos todos campeões no dizer o que está mal. Já na apresentação de soluções concretas para os problemas existentes poucos são aqueles que, a um tempo, se dão ao trabalho de estudar e pensar e, acima de tudo, de arriscar e apresentar projetos futurantes.

Da minha parte, como o tento documentar no que vou escrevendo, procuro inspiração nos atores políticos que fazem do fazer acontecer a sua prioridade. O risco é consciente e o medo ausentou-se para parte incerta. O que nos faz crescer são as críticas e eventuais apupos e não os aplausos gratuitos e pouco esclarecidos. Adiante: o concelho de Guimarães tem em mãos um problema gravíssimo que carece de solução urgente. Como é do conhecimento público, na sequência da decisão da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente, e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), o Ministério Público “embargou” no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga a construção da Via do Avepark, atenta a sua implantação em consideráveis áreas da REN (Reserva Ecológica Nacional) e da RAN (Reserva Agrícola Nacional). Ora, importa recordar que o Sr. Presidente da Câmara, Domingos Bragança, na sua entrevista da última edição do “O Comércio de Guimarães”, alertou para o facto de termos até junho do presente ano para iniciar a obra, pois, caso contrário, ficará sem efeito a aprovação do financiamento, através do PRR, no valor de € 39 milhões de euros.

Antes do demais: há muito defendo a não construção desta via, precisamente, pelas razões avançadas pelo Ministério Público e pela AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia. Existem outras soluções para descongestionar a EN 101, nomeadamente, a requalificação desta estrada nacional, com a inclusão de um canal dedicado ao transporte público (BRT/MetroBus ou Metro de Superfície) e a construção de uma nova entrada e saída da A11, que sirva o norte do concelho. Acresce: no que ao AVEPARK diz respeito, importa partir de outro prisma, priorizando, pasme-se, fazer dele “Parque de Ciência e Tecnologia” e não parque industrial de primeira geração (isto é, parque industrial puro e duro). Era esse, aliás, o objetivo primeiro da sua construção.

A questão é: os 39 milhões de euros de financiamento através do PRR, no caso de não se avançar em tempo para a construção da via do AVEPARK, perdem-se?  Em tese, os projetos com apoios europeus aprovados que apresentem atrasos (incluindo os não iniciados) na sua execução podem ser anulados e a verba libertada para lançamentos de novos avisos, havendo a reafectação do dinheiro em tempo útil (veja-se, a título de exemplo, a posição da Comissão Europeia, a propósito da reafectação de verbas para expansão do Metro de Lisboa a outros projetos, dizendo que essa decisão competia ao Estado Membro, neste caso, Portugal). Antes que seja tarde e sendo possível a reafectação (ou recorrendo a nova candidatura a um dos Programas Operacionais, Temáticos ou Regionais, dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento – FEDER, FSE+, FC, FTJ), importa criar um projeto inovador que salve o AVEPARK e reduza as necessidades de mobilidade. Partindo da ordem de grandeza de apoios comunitários em apreço, e em trabalho conjunto a realizar pelo Governo da República, CCDR-N, CIM-AVE, Universidade do Minho, Câmara Municipal de Guimarães e Caixa Geral de Depósitos, etc., seria revolucionário equacionar um projeto estruturante para toda a região: a construção, em parceria com a empresa proprietária (a Compagnie des Alpes), de um novo Futuroscope. Falamos de um parque temático que se diferencia pela base tecnológica, multimédia, técnicas cinematográficas, audiovisuais, robótica de vanguarda e computação do futuro, situado a 10 quilómetros da cidade de Poitiers.

A coesão europeia também deve passar por apostar em projetos transformadores e com escala, que possibilitem qualificar os territórios. Num ecossistema que integra a Universidade do Minho, o IPCA, supercomputador Deucalion, o consórcio português QuantaLab (com ligação da Universidade do Minho à IBM Q Network), a CEIIA, a Fábrica do Futuro e a Guimarães Space Hub, seria, de facto, estruturante lançar-se uma joint venture futurista, um projeto conjunto de dimensão europeia, criador de postos de trabalho qualificados e bem remunerados e sem carecer de especiais necessidades de mobilidade. De facto, uma das matrizes seria fixar que todo o acesso ao AVEPARK passaria a ser concretizado exclusivamente via transporte coletivo público verde, criando-se, nomeadamente, parques de estacionamento com a devida escala (para deixar os automóveis particulares) na nova saída da autoestrada a construir.

 

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