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Guimarães fora dos carris

Alfredo Oliveira
Opinião \ quarta-feira, abril 17, 2024
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Evidentemente que defendemos o regresso do Alfa, mas não é essa a questão fundamental. Esse eventual regresso não resolverá grandes problemas nem salvará Guimarães.

Na abertura do Alfa Pendular, em maio de 2016, fizemos o trajeto do Porto até Guimarães, num ambiente de verdadeira festa. Tudo caminhava sobre carris.

Nem quatro anos passados, esse meio esfumou-se e, até à data, qual mito do “Sebastianismo”, espera-se pelo seu regresso, numa manhã de nevoeiro para salvar Guimarães de todos os seus problemas.

Evidentemente que defendemos o regresso do Alfa, mas não é essa a questão fundamental. Esse eventual regresso não resolverá grandes problemas nem salvará Guimarães.

O problema de fundo subsiste e marca o concelho quanto ao fraco aproveitamento da ferrovia nas suas diversas potencialidades por parte da sua população e das empresas.

Já tivemos algumas grandes oportunidades, que foram sendo desbaratadas. Numa das mais recentes, entre 2002 e 2004, Guimarães não soube ou não foi capaz de dar o salto na ligação ao Porto. Apostou-se num satisfazer de todos os apeadeiros (ou capelinhas), em detrimento de se implementar uma viagem rápida, em via dupla. Assim, até à estação de São Bento, temos 21 paragens intermédias (seis das quais em Guimarães), para 56km, durante 1h15min de viagem.

Gastou-se demasiado dinheiro no acessório e não se privilegiou o essencial.

Passados mais 20 anos, ainda não existe consenso sobre o que Guimarães quer sobre a questão da mobilidade. Encomendam-se estudos, alguns mirabolantes, que vão mudando de acordo com as ideias do momento.

Esta questão da mobilidade e, no caso concreto, da ferrovia, teria de ser mais consensual. Teria ou deveria ser defendida pelos principais partidos e agregar as grandes empresas localizadas no concelho. Só dessa forma é que poderíamos mobilizar a sociedade vimaranense e dar força a esse desígnio junto do Quadrilátero (pois não podemos dissociar Braga, Famalicão e Barcelos nesta questão dos transportes), e junto do governo do país.

Todos fomos levados pelas virtualidades do alcatrão. Ao longo das últimas 4 ou 5 décadas, todas as cidades foram eliminando a ferrovia e os elétricos em favor das estradas, que levaram os automóveis a entupir os centros urbanos. O país, numa linha de “modernidade” e dos interesses de grupos económicos, apostou nas autoestradas (algumas absolutamente necessárias e outras mais de um país rico) e foi eliminando linhas ferroviárias e tornando outras quase obsoletas.

Passados 140 anos da chegada do primeiro comboio a Guimarães, seria bom voltar a colocar o nosso concelho sobre os carris. No entanto, parece não haver um verdadeiro interesse em assumir de forma convicta esse trilho, assim como não houve interesse, por parte da CP, em fornecer dados sobre a utilização da linha de Guimarães. Tentámos durante um ano.

 

O Jornal de Guimarães completa três anos de existência. O nosso agradecimento e reconhecimento a todos os que tornam possível a sua edição.

Boas leituras!  

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