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Investigação médica: uma necessidade!

Prof. Dr. José Cotter
Saúde \ quinta-feira, maio 26, 2022
© Direitos reservados
Orgulho-me de trabalhar numa universidade e numa instituição hospitalar (onde dirijo um serviço) onde a investigação médica é prática corrente, senão mandatória. Ainda que incompreendida por alguns.

A investigação na área médica nem sempre é bem compreendida pela população geral. Confunde-se muitas vezes investigação com experimentação, o que é completamente errado. A investigação é o sustentáculo do desenvolvimento da medicina, que permite melhorar processos de diagnóstico e tratamento, tendo por finalidade última o bem-estar do cidadão e a promoção da sua saúde.

A investigação médica deveria ser obrigatória nos diferentes estabelecimentos de saúde, ficando reservado um espaço do horário para tal fim. Esgotar todo o tempo em tarefas assistenciais é um erro, pois fica a faltar espaço para reflexão, as quais permitem construir discussões que levam a conclusões. E estas dão origem à alteração de processos do quotidiano com consequente melhoria dos cuidados prestados. E por investigação médica, contrariamente ao que muitos pensam, ao relacioná-la com o uso de medicamentos ainda em fase de não aprovação, entende-se a maior parte das vezes processos distantes disto mesmo.

Um exemplo disto, e que está ao alcance de qualquer médico, é o das analises da atividade desenvolvida ou de alguns aspetos específicos dessa atividade, seja essa análise retrospetiva (do passado) ou prospetiva (da atividade futura, orientada por determinados parâmetros pré-determinados). Essas análises permitem muitas vezes identificar pontos mais fortes e outros menos fortes, devendo estes consequentemente ser corrigidos com a adoção de outras soluções e/ou estratégias.

Só assim se consegue proceder a uma melhoria contínua, seja das prestações ou dos cuidados de saúde. Em Portugal, erradamente, na maior parte dos estabelecimentos de saúde, não se valoriza ou mesmo não se pratica a investigação de que falamos. Por várias razões, multifactoriais, que têm a ver com cargas assistenciais pesadas, recursos humanos subdimensionados, instalações exíguas ou sem condições para tal, falta de incentivos, e finalmente escassez de tempo. Orgulho-me de trabalhar numa universidade e numa instituição hospitalar (onde dirijo um serviço) onde a investigação médica é prática corrente, senão
mesmo mandatória. Ainda que incompreendida por alguns.

Essa mesma investigação tem permitido divulgação de resultados (a nível nacional e internacional) nas melhores publicações e fóruns médicos da especialidade, partilha de informação, além de enriquecimento profissional, cultural e de prestígio para as equipas e instituições. Nem todos o querem compreender, mas o caminho tem forçosamente de ser esse, porque se tem repercutido na melhoria de cuidados, estes mais na qualidade do que na quantidade (está muito dependente dos recursos humanos, técnicos e físicos disponibilizados).

O contrário traduz-se por acomodação, estagnação, falta de ambição e desinteresse. Seria uma ótima estratégia que, finalmente, em nome da melhoria dos cuidados a prestar, fossem criadas condições por parte de quem governa, para que, de uma forma geral, os recursos humanos médicos e paramédicos fossem suficientes, as instalações adequadas, dignas e funcionais e os profissionais tratados com a elevação que todos merecem. Desta forma poder-se-ia de uma forma mais generalizada implementar a investigação como uma atividade regular, virada para a melhoria dos cuidados praticados, tendo como objetivo último a focalização do cidadão que recorre aos cuidados de saúde.

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