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Justiça por Frédéric

Rui Antunes
Opinião \ terça-feira, junho 07, 2022
© Direitos reservados
Um ataque a um órgão de comunicação social é um ataque contra todos nós. Por cada vida tirada a um jornalista é o Estado de Direito que é posto em causa.

O valor do jornalismo para as democracias é incalculável. Jornalismo independente e de qualidade é essencial para a obtenção de informação credível que permite aos cidadãos tomar decisões informadas. Numa época de difusão massiva de notícias falsas nas redes sociais, são os órgãos de comunicação social que tem o compromisso com a verdade e, por isso, garantem a fiscalização do poder político e económico com isenção.

Precisamente pelo trabalho meritório que estes profissionais realizam na investigação e escrutínio que os coloca em risco de vida. Recentemente, o repórter Frédéric Lecler-Imhoff foi assinado pelo exército russo num ataque a uma caravana humanitária onde seguia. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que o jornalista foi “morto por mostrar a realidade da guerra” e exige investigação e responsabilização do exército da Rússia. Este não caso isolado de violação do direito internacional. O ministro da Cultura ucraniano afirma que, desde o início da invasão, já foram mortos 32 jornalistas.

Também Shireen Abu Akleh foi brutalmente assassinada enquanto fazia uma reportagem em Jenin, na Palestina. Uma investigação da americana CNN, que analisa testemunhos e vídeos recolhidos no local, indicam que a jornalista foi morta pelo exercício israelita e que o tiro não foi acidental. A estação televisa Al Jazeera responsabiliza o Governo de Israel e já apresentou queixa no Tribunal Penal Internacional. Bem sabemos como Isarel lida mal com o escrutínio jornalístico, como foi notório com a destruição do edifício que alojava a The Associated Press e a Al Jazeera, em Gaza.

Infelizmente, estes casos não são isolados e a situação é muito mais preocupante. Apesar dos homicídios se verificarem em maior número em cenários de guerra ou em regimes ditatoriais, há vários casos de jornalistas mortos por investigarem a corrupção em regimes democráticos, como na Irlanda, Bulgária ou Malta. A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ, em inglês) registou a morte de 45 jornalistas em 2021, 2791 desde 1991. Um relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, UNESCO, aponta no mesmo sentido. Segundo esta instituição, entre 2016 e 2020, foram assassinados 400 jornalistas.

Este cenário é catastrófico para as democracias. Um ataque a um órgão de comunicação social é um ataque contra todos nós. Por cada vida tirada a um jornalista é o Estado de Direito que é posto em causa. As sociedades devem proteger estes profissionais e salvaguardar o respeito intransigente dos Direitos Humanos essenciais para a manutenção da soberania dos estados democráticos.

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