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O ciclismo nacional feminino está de boa saúde e recomenda-se!

Ilda Pereira
Opinião \ quarta-feira, setembro 27, 2023
© Direitos reservados
Recomendo aos mecenas, aos patrocinadores, que invistam naquela que é uma oportunidade de criar valor! De criar valor desportivo (claro!), valor social e valor de retorno financeiro!

Com o calendário oficial da Federação Portuguesa de Ciclismo a não registar mais qualquer evento de ciclismo feminino de estrada, a época parece ter sido rematada pela terceira edição da Volta a Portugal Feminina Cofidis Jogos Santa Casa da Misericórdia. E que maneira de pontuar uma época competitiva, premiada por excelentes prestações que assinalaram quer a Taça de Portugal Feminina de Ciclismo de Estrada quer os Campeonatos Nacionais disputados em Mogadouro!

Quais serão as memórias que guardaremos de 2023? Claramente a diversidade! A diversidade de nacionalidades e de idades que caracteriza o pelotão elite nacional. As veteraníssimas e as jovens dão à esquadra das ciclistas uma harmoniosa convivência e há uma espécie de legado, de testemunho, que se passa às novas gerações. Outra das memórias será, por certo, a interculturalidade – nunca a Taça de Portugal viu tal paleta de nacionalidades. Fica aqui um bom exemplo de integração social pelo desporto. Há ainda a assinalar a competitividade lusa. Se é “mito” perpetuado que “o que vem de fora é sempre melhor do que o da casa”, nesta época as atletas lusitanas mostraram que somos cada vez mais capazes de disputar as provas “mano a mano” com as estrangeiras. Prova disso são as classificações de etapa da recente Volta a Portugal Feminina – foi ver os nomes portugueses e as equipas portuguesas a debaterem-se e a infiltrarem-se nos resultados das classificativas. Mas não só as atletas se desafiaram ombro a ombro como também toda a caravana das quinas (diretores, mecânicos, massagistas, carros, etc.) se apresentam, cada vez mais, com a qualidade e a eficiência que outrora só relegávamos para os internacionais.

Assim, quando o ciclismo feminino dá sinais de estar de boa saúde, recomenda-se! Recomendo aos mecenas, aos patrocinadores, que invistam naquela que é uma oportunidade de criar valor! De criar valor desportivo (claro!), valor social e valor de retorno financeiro!  

Assim, quando o ciclismo feminino dá sinais de estar de boa saúde, recomenda-se! Recomendo que se criem estruturas de apoio para o desenvolvimento das equipas. Portugal tem já muitos clubes com competência e recursos humanos com longos anos de “know how” que não podem ser nem desperdiçados nem (continuar a) ser desvalorizados. É urgente assisti-los, formá-los e guiá-los para formas de organização ainda mais qualificadas e competitivas.

Assim, quando o ciclismo feminino dá sinais de estar de boa saúde, recomenda-se! Recomendo aos media que se cultivem e atualizem, diversificando a oferta de conteúdos ao colocar o ciclismo feminino nacional na grelha programática em horários apelativos.

Assim, quando o ciclismo feminino dá sinais de estar de boa saúde, recomenda-se! Recomendo ao público que apoie, que saia à rua para receber em palmas aquele que é o desporto do povo que vos passa à porta de casa. E recomendo que reivindiquem aos órgãos de poder e aos meios de comunicação social mais ciclismo feminino!

Para terminar, focar-me nelas: as ciclistas femininas nacionais estão de boa saúde e recomendam-se! Numa altura em que as equipas se reformulam para 2024, recomendo-lhes que apostem nas atletas do vosso país. “O que é nacional é bom!” Às vezes, até é como o Vinho do Porto…

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