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O perfume centenário: homenagem a uma mulher visionária

António Paraíso
Opinião \ quarta-feira, janeiro 26, 2022
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Em 1921, Coco Chanel criou um perfume que, 100 anos mais tarde, é considerado o mais icónico do mundo. Marilyn Monroe dizia que usava uma gota de Chanel N.º 5 para dormir e nada mais.

Gabrielle Chanel, a famosa estilista francesa conhecida como Coco Chanel, era uma mulher muito à frente do seu tempo. Foi modista, estilista, mulher de negócios, gerindo as suas lojas, extravagante a conduzir o seu Rolls Royce azul, espia ao serviço dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, vivia no mítico e luxuoso Hotel Ritz em Paris, foi uma senhora na alta sociedade francesa e amante de homens poderosos.

Em 1921, criou um perfume que, 100 anos mais tarde, é considerado o mais icónico do mundo. Marilyn Monroe dizia que usava uma gota de Chanel N.º 5 para dormir e nada mais. Andy Warhol, o rei da pop-art, criou nove quadros coloridos do frasco de perfume, que estão expostos no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Coco Chanel, de origem rural e humilde, quando a sua mãe morreu, foi enviada para um convento para ser educada por freiras.

Desses tempos de adolescência, dizia que a principal memória olfativa era a do cheiro fresco do sabonete na água do banho. No início dos anos 20, a grande tendência das casas de moda era a de criarem o próprio perfume para as clientes fiéis. Gabrielle decidiu fazê-lo e pensou no aroma de frescura do sabonete da sua juventude. No verão de 1920, Gabrielle Chanel foi passar as férias na Côte d’Azur com o seu amante, o Grão-Duque Dimtri Pavlovich. Aí conheceu Ernest Beaux, um perfumista de personalidade sofisticada, que tinha trabalhado para a família real russa.

O desafio foi-lhe colocado para criar um perfume diferente e na Primavera de 1921, depois de vários meses de trabalho, Beaux apresentou 10 amostras numeradas de 1 a 5 e de 20 a 24. Depois de as sentir, Gabrielle escolheu a N.º 5, sem hesitar.

 

O segredo do Chanel N.º 5

Há rumores que contam que a amostra n.º 5 é o resultado de um erro de laboratório, pois a assistente de Beaux, por descuido, adicionou uma dose excessiva de aldeído, um ingrediente químico usado em perfumaria, e uma das suas versões cheira a sabonete. A estilista então afirmou: “Este é exatamente o perfume que eu procurava. A fragrância da mulher emancipada”.

Era o aroma que simbolizava o equilíbrio entre o cheiro da sua adolescência no convento e a vida adulta luxuosa de amante dos poderosos. Chanel n.º 5 é um perfume de carácter forte, feito em laboratório com 80 aromas e cerca de 1000 flores diferentes, cultivadas na região de Grasse, a capital mundial da perfumaria.

Gabrielle Chanel era uma mulher arrojada e visionária. Planeou, secretamente, um truque de marketing. Para celebrar o facto de ter encontrado o perfume que tanto desejava, convidou o Grande Duque, seu amante, o perfumista Ernest Beaux e um grupo de amigos, para um almoço num restaurante elegante na Riviera Francesa. Então, com um frasco vaporizador de CHANEL N.º 5, perfumou o ambiente. em torno da mesa de almoço.

Todas as senhoras que passavam ali perto, dirigiam-se à mesa e perguntavam que perfume enigmático era aquele. Foi o momento em que Coco Chanel teve a certeza de que tinha conseguido um perfume revolucionário e que iria ser um sucesso. Um momento único na história da perfumaria. Mas Gabrielle nunca terá imaginado que este aroma cumpriria um centenário de sucesso. Cem anos a ser desejado!
Parabéns, Chanel N.º 5.

 

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