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Respeitar os professores é defender a escola pública

Rui Antunes
Opinião \ terça-feira, janeiro 17, 2023
© Direitos reservados
A luta pela escola pública de qualidade é a luta pela democracia e por uma sociedade melhor para todos.

Temos assistido as mais duras lutas na educação dos últimos anos. Escolas encerradas e manifestações que enchem praças e avenidas. Estas ações são promovidas pelos docentes e são apoiadas por toda a comunidade escolar. Os encarregados de educação, os estudantes e os funcionários estão lado a lado porque sabem que esta luta vai mais além dos aumentos salariais, é a luta pela escola de qualidade para todos.

A escola pública é, a par do serviço nacional de saúde, a grande conquista da revolução de Abril. Num país com níveis de alfabetização muito baixos, foi através dela que se conseguiu alguma evolução nas qualificações da população. A luta pela escola pública de qualidade é, por isso, a luta pela democracia e por uma sociedade melhor. Apesar de todas as dificuldades, é na escola que, em condições de igualdade, o conhecimento é transmitido às novas gerações para que possam ter um futuro melhor.

Por isso, entende-se a necessidade de valorizar quem diariamente trabalha nas escolas para formar as crianças e jovens. As exigências que os professores fazem são da mais elementar justiça. Uma profissão tão importante para a sociedade tem de ser valorizada. Docentes desprezados e esgotados não são um bom sinal que o Estado dá. Os salários devem ser aumentados para evitar as situações em que pessoas estão décadas a ganhar o mesmo, apesar de toda a experiência acumulada.

No mesmo sentido, a carreira deve ser descongelada e as barreiras à progressão para o quinto e sétimo escalões eliminadas. A questão que pode ser aqui colocada é se algum estudante ou encarregado de educação admitira que, tendo obtido a classificação de excelente em todas as provas de avaliação, fosse classificado com o nível 3 ou 4, porque o professor já tinha esgotado os 5 que poderia atribuir. Parece absurdo e ninguém compreenderia se isso acontecesse, mas é precisamente isso que sucede a estes profissionais. Podem ser dedicados e empenhados, mas a progressão está-lhes vedada pela existência de vagas para alguns escalões.

Por outro lado, a profissão docente tem sido absorvida por programas curriculares extensos e pela imposição de mais burocracia. Parece que o objetivo principal da escola, que é aprender, passou para segundo plano. Os professores estão mergulhados na obrigação de preencher formulários e entregar papeis e sobra-lhes pouco tempo para se dedicaram ao mais importante que é ensinar.

Apesar da justiça destas reivindicações, este Governo parece incapaz de dar uma resposta adequada às necessidades da escola pública. O ministro veio anunciar a diminuição do quadro de zona pedagógica, que já se houve falar há vários anos e nunca foi concretizada. Anunciou também a contratação dos professores precários ao fim de três anos, mas isso é cumprir o que já está na lei. Parece haver pouca vontade deste Governo em conversar e por isso tem de lhe ser imposto que se sente à mesa das negociações. Só a luta vence o abuso, e esta luta é pelo futuro dos jovens e do país.

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