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Responder às crises política e social

Rui Antunes
Opinião \ segunda-feira, novembro 20, 2023
© Direitos reservados
Este caso torna ainda mais claro que as portas giratórias entre o poder político e as grandes empresas enfraquecem a democracia

O país foi mergulhado numa crise política em resultado de uma investigação criminal ao núcleo duro do Governo, sobre vários negócios. Mesmo sem o tal paragrafo do comunicado, António Costa não teria outra solução a não ser demitir-se. Foi criada uma teia de ligações, entre empresários e governantes, com centro em São Bento. Os homens escolhidos por si usavam a residência oficial para todo o tipo de atividades duvidosas. O chefe de gabinete, Vítor Escária, escondia dinheiro ilícito no gabinete e o ex-melhor-amigo, Lacerda Machado, recebia um salário de uma empresa para influenciar decisões de governantes.

Ainda nos faltam as explicações da Procuradora-Geral da República sobre a atuação do Ministério Público. Sendo a investigação dos crimes imputados da competência da Polícia Judiciária, é preciso perceber as razões de ter sido a Polícia de Segurança Pública a fazer estas diligências. Além disso, parece estranho que o tribunal decida libertar todos os suspeitos detidos e ter deixado cair as acusações mais gravosas, como a de corrupção. O Ministério Público está ao serviço da República e, por isso, a sua atuação deve ser transparente e escrutinada, cabendo à Procuradora-Geral prestar todos estes esclarecimentos.

Este caso judicial revela o que o Bloco de Esquerda há muito tem vindo a alertar. Em 2016, alertamos para a atuação de Lacerda Machado na TAP; em 2019, promovemos um inquérito parlamentar aos favores à EDP (quando Manuel Pinho era ministro, Lacerda Machado estava na administração da EDP e Vitor Escária era assessor de José Sócrates); em 2021, denunciamos a atuação de Matos Fernandes e da APA na venda das barragens.

Ao longo deste tempo, opusemo-nos sempre a projetos extractivistas, quer do lítio quer do hidrogénio, por considerarmos que esta estratégia não contribui para a transição energética justa. Estivemos e mantemos o apoio à luta popular pela preservação do ambiente e natureza.

Além disso, este caso torna ainda mais claro que as portas giratórias entre o poder politico e as grandes empresas enfraquecem a democracia. É este regime de privilégios que constantemente garante regalias à elite financeira em detrimento dos direitos da maioria do país. A facilidade que se declara “interesse nacional” para favorecer determinada empresa contrasta com a dificuldade com que se resolvem os problemas do Serviço Nacional de Saúde ou da Escola Pública. Esta cultura do Partido Socialista desloca o centro das decisões importantes para o país dos órgãos eleitos pelo povo, como a Assembleia da República, para jantaradas informais de troca de favores.

Esta crise política só teria, naturalmente, uma solução: devolver a palavra ao povo. É com eleições que se resolvem os problemas do país, discutindo as várias propostas e identificando as que melhor respondem às necessidades das pessoas. O eleitoralismo já está a moldar o PS, que já deixou cair o aumento do IUC, e o PSD, que agora já querem devolver o tempo de serviço aos professores quando em 2019 tiveram essa oportunidade e recuaram. Da parte do BE, o programa vai reforçar as lutas sociais que te sido travadas nos últimos anos, em particular pela habitação, emprego, saúde e educação. O Bloco é a alternativa para garantir um país mais justo e solidário.

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