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A necessidade de uma verdadeira política de saúde mental

Prof. Dr. José Cotter
Opinião \ quinta-feira, março 23, 2023
© Direitos reservados
Para quando a execução de uma política de saúde mental (entre outras) com princípio, meio e fim?

Como é do conhecimento geral as doenças do foro psíquico têm hoje uma enorme prevalência nas sociedades contemporâneas. Ansiedade, depressão, fobias, além de outro tipo de doenças mais graves, numerosas mas simultaneamente mais infrequentes, são problemas comuns, que afectam muito todos aqueles que delas sofrem, mas que felizmente desde que tratadas de forma competente são passiveis de uma melhoria acentuada ou mesmo de cura.

O cérebro, tal como outros órgãos (coração, estômago, intestino, etc.), pode ter os seus problemas ou as suas doenças, que pela intensidade com que afectam o quotidiano, necessitam de tratamento tão eficaz quanto a medicina o permita de forma a melhorar a qualidade de vida dos seus portadores. Estas doenças têm mesmo uma importante responsabilidade nas taxas de absentismo laboral, tendo por isso repercussões sociais importantes.

Também do ponto de vista familiar elas são desagregadoras, uma vez que num elevado número de casos afectam o humor e o comportamento das pessoas, situação que se vai repercutir forçosamente no agregado familiar. Por tudo isto e pela sua importância, a medicina moderna tem evoluído muito nesta área, através de uma investigação incessante que tem trazido importantes resultados de melhoria para a prática clínica.

Portanto, a saúde mental deve ser hoje um capítulo importante das políticas de saúde, enfrentada com a mesma seriedade e empenho com que são as restantes vertentes da política, pois no mínimo a sua importante prevalência a isso deveria obrigar. Mas afinal o que temos de concreto neste campo político em Portugal?

A resposta em termos de estratégia concertada é que temos tido ao longo dos anos “uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma”. A política de saúde mental tem sido apenas um parente pobre das demais políticas da área. Infelizmente os políticos não têm entendido a sua importância. Á medida que os diferentes governos se sucedem vamos ouvindo dizer que “é desta” que se vão tomar medidas de fundo e constituir uma verdadeira estratégia.

Mas realmente o que tem sucessivamente acontecido é não mais do que presenciar a tomada de medidas avulso, sem uma linha de fundo orientadora, como se se estivessem a apagar diferentes fogos que vão surgindo em diferentes locais. Os políticos, preocupados essencialmente com os resultados eleitorais e com as sondagens que sucessivamente vão aparecendo nos diferentes meios de informação, esquecem-se de investir a médio e a longo prazo no bem-estar e na saúde das populações.

A política de saúde mental é uma vertente importantíssima nos cuidados de saúde. O stress (inevitável?) em que uma percentagem elevada da população se encontra mergulhada, é entre outros, gerador de doenças várias, entre as quais doenças do foro psíquico, muitas delas com repercussão física no organismo em geral, e por isso um problema deveras comum. Pergunta-se para quando, independentemente da politiquice desinteressante e votada ao insucesso, teremos pela frente políticos determinados e corajosos que permitam fazer um acordo de regime que permita a execução de uma política de saúde mental (além de outras) com princípio, meio e fim? Haverá capacidade ou mesmo vontade para isso? Infelizmente, a avaliar pelo passado, não parece.

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