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Somos assim e, talvez, assim seremos...

Filipe Fontes
Opinião \ quarta-feira, novembro 29, 2023
© Direitos reservados
Escrevo num dia celebrativo de uma data e de um acontecimento tão importante e “incontornável” para e na história portuguesa quanto não consensual, dir-se-á mesmo, polémico.

Trata-se do dia 25 de novembro. E menciona-se a data não para reflectir sobre a mesma, a bondade das suas qualidades e causas, o efeito das suas consequências políticas e sociais, criticar ou defender, fazer a apologia dos seus intentos, minimizar ou secundarizar em função da comparação com outras datas. Apenas se regista a menção à data e a esta polemização e confusão por se entender ser o retrato do momento que o país vive: “todos ralham, ninguém tem razão e cá vamos “andando” sem saber muito bem como e para quê, apenas que vamos…”.

Vivemos um momento em que o governante executivo mor do país se demite por entender que não pode exercer a função se alvo de suspeita, independentemente da sua dimensão, mas aceita continuar em funções plenas até ser necessário; o representante maior do país entende que não há condições para continuar o actual quadro político se o seu representante máximo não continuar. E convocará eleições. Até lá, aceita que fique tudo igual e com os mesmos poderes e capacidade para tomar decisões e condicionar.

A investigação que originou “o caso” ainda está no início, mas já determinou e tem consequências, já apresentou erros que levaram, presumivelmente, a conclusões erradas e divergentes da realidade, mas nada que origine crítica e ponderação; A assembleia da república – a representante do povo – irá ser dissolvida e novamente escolhida. Até lá continuará igual, sem mais… nem menos.

Ministros vão sem palavras de arrependimento ou tomada de consciência, apenas zangadas porque desaproveitados e incompreendidos. Melhores amizades desfazem-se por interesse ou por viverem apenas da aparência e arrufos entre “gente crescida” emergem quase como brincadeiras de crianças inconscientes. Acções, telefonemas, conversas, entre outras, graves se passam… e podem continuar a passar, não se percebendo onde começa o problema (já que quando acabará só o tempo longo dirá). Comentários, suposições, teorias e interpretações se constroem, consumindo tempo e energia num país… que se integra num mundo que não pára e continua a mudar e a competir.

Queremos quem decida e não temos “porque estão demissionários”; queremos que aguardem e deixem para decisão daqueles que serão legitimados pelo povo, mas dizem-nos “estamos com plenos poderes e é nosso dever exercê-los”; Queremos negociar para resolver diferendos e há representantes que são os mesmos sem o poder formal que o poder demissionário retirou, mas que o poder real ainda valida. Queremos legislar para que não se deite fora o trabalho já feito (independentemente do acordo ou desacordo sobre o mesmo), mas corremos o risco de “morrer na praia” porque a legitimidade perdeu-se muito perto da meta…

E queremos andar, crescer, fazer caminho, ver e sentir esperança, ficar melhor… e sentimo-nos num verdadeiro bzidróglio: tanto a acontecer para nada merecer, tanto a mudar para tudo se repetir!
Somos o que somos… e somos tanto! Apenas às vezes é difícil compreender porque desperdiçamos tanto! E gostamos da confusão. Pena é que esse desperdício e essa confusão sejam frequentes e, muitas vezes, à luz de palavras de autor conhecido “requentadas”. Nem assim nos livramos do quanto tergiversamos, procrastinamos, baralhamos, confundimos, …sem edificar ou construir. É caso para perguntar (novamente com palavras de autor) “trabalho para ganhar a vida. Mas porquê trabalhar para ganhar a vida se passo a vida a trabalhar?”…

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