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Teatro Praga: 25 anos de Experimentação Artística

Francesca Rayner
Opinião \ quinta-feira, maio 06, 2021
© Direitos reservados
Cada iniciativa nova junta mais uma possibilidade ao trabalho da companhia e é por causa desta energia irrequieta que são vistos por muitos jovens artistas como um modelo para o seu próprio trabalho.

Entre os dias 5 e 9 de Maio, a companhia lisboeta Teatro Praga vai estar em Guimarães para um conjunto de atividades que celebram os seus 25 anos de existência. Esta estadia na cidade oferece uma oportunidade única de assistir a vários espetáculos da companhia e de refletir sobre o percurso de um grupo de teatro experimental. Os espetáculos incluem uma versão infantil de Macbeth de William Shakespeare com o título de MACBAD (dias 6, 7 e 8 no Pequeno Auditório do CCVF) que explora as ligações entre teatro e gaming e um one man show de André e. Teodósio, Info Maníaco (dias 7 e 8 no CIAJG) que pretende ser, entre outras coisas “uma espécie de glossário retrospetivo do trabalho do Teatro Praga”. A programação inclui também uma oficina com o dramaturgo da companhia, José Maria Vieira Mendes, sobre a sua peça Dicionário (dia 8, CCVF, Sala de Ensaio), que procura entender a tendência atual de criticar em vez de tentar compreender, e uma conversa com o público (dia 7 no CIAJG) com os membros da companhia. Por fim, será exibido em ante-estreia o filme performativo Supernatural (dia 9 no CIAJG), uma colaboração entre os Praga e a companhia Dançando com a Diferença que parte do trabalho inovador desta companhia com pessoas com deficiência para expandir ideias do natural e não natural quando falamos de corpos ‘normais’ ou ‘naturais’.

Além do interesse que motiva esta programação e a sua variedade, a visita dos Praga a Guimarães coloca uma questão fundamental para artistas na área das artes performativas, ou seja, como é que se mantem um trabalho nesta área durante 25 anos sem se perder a vontade de experimentar e arriscar, sobretudo quando o mercado cultural está sempre à procura de produtos novos para vender e muitas vezes negligencia ou marginaliza as companhias existentes. Como reconhecer uma carreira longa numa área onde nem existem carreiras e onde a ‘crise de meia-idade’ de muitas companhias faz com que preferem repetir a mesma fórmula em vez de inovar? A iniciativa A Praga em Guimarães sugere uma outra possibilidade. A inevitabilidade de um olhar virado para o passado e para a história da companhia é equilibrado com o lançamento de perguntas e dúvidas sobre o presente e o futuro dos Praga, perguntas e dúvidas estas que são partilhadas com o público de Guimarães no sentido de procurar respostas coletivas e provisórias. Há elementos constantes no trabalho dos Praga: a sua relação de amor-ódio com as convenções do teatro, uma preocupação em trazer corpos não normativos para o palco, uma vontade de entreter em vez de transmitir mensagens e a colaboração com outras e outros artistas. No entanto, cada iniciativa nova junta mais uma possibilidade ao trabalho da companhia e é por causa desta energia irrequieta que são vistos por muitos jovens artistas como um modelo para o seu próprio trabalho.

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