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Bom Ano Novo

Álvaro Manuel Nunes
Opinião \ segunda-feira, janeiro 01, 2024
© Direitos reservados
Álvaro Nunes perspetiva o ano recém-iniciado a nível nacional e internacional, político e desportivo. Recorda também as várias efemérides locais, assim como os projetos que se esperam no terreno.

2024 é um ano bissexto, a começar numa segunda-feira, um dia de trabalho. Um ano que genericamente se prevê ficará marcado pelo abrandamento do crescimento e pela subida da temperatura, bem como de atos eleitorais relevantes e competições desportivas diversas.

De facto, um ano político e eleitoral em cheio, que contará com Eleições Legislativas antecipadas em Portugal, a 10 de Março, com uma nova liderança no Partido Socialista, bem como as Europeias em 9 de Junho e eleições regionais nos Açores.

Outrossim, um ano que do ponto de vista desportivo conta também com os Jogos Olímpicos, concretamente a XXXII Olimpíada, a ter lugar em Paris, entre 26 de Julho e 11 de Agosto, cidade que pela terceira vez recebe os jogos. Recordemos a este propósito, que passam 40 anos desde que Carlos Lopes venceu a Maratona, em 12 de Agosto de 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, enquanto Rosa Mota obteria a medalha de bronze na maratona feminina.

Igualmente, realizar-se-á o Euro 2024, entre 14 de Junho e 14 de Julho, no qual Portugal já marcou presença, após um apuramento invicto, prova que ocorrerá na Alemanha, país que já havia recebido a prova em 1988, antes da reunificação.

Como é óbvio, ocorrerão também as habituais e anuais iniciativas musicais e lúdicas, nomeadamente o 68º. Festival Eurovisão da Canção, em Malmö, na Suécia, cujas semifinais estão previstas para 7 e 9 de Maio e respetiva final em 11 de Maio.

Entretanto, a nível tecnológico e espacial, o fundador da SpaceX e empreendedor Elon Musk planeia enviar a primeira nave Starship para Marte, abrindo caminho para a sua colonização humana. No âmbito do Programa Artemis, deverá acontecer uma alunagem tripulada, após Apolo. Igualmente, prevê-se a apresentação do carro voador, do avião nuclear e aeronaves movidas a hidrogénio.

A ver vamos o que acontece, para além do previsível, uma vez que mais importante do que tudo será abrir os caminhos da paz e do diálogo franco, sem vencedores nem vencidos, face aos conflitos que grassam na Ucrânia e na faixa de Gaza.

Porém, e para além do que é expectável ou plausível ocorrer, várias efemérides se calendarizam, a suscitarem evocações diversas. Desde logo, a nível nacional, os 500 anos do nascimento de Luís de Camões (1524-1580) e os centenários do nascimento de outros poetas mais contemporâneos, como Alexandre O’ Neill (1924-1986), António Ramos Rosa (1924-2013) e Sebastião da Gama (1924-1952), que podem suscitar agradáveis momentos de (re)leitura. Encontros porventura extensíveis ao centenário do nascimento de Mário Soares (1924-2017), curiosamente no ano em que perpassam 50 anos do 25 de Abril, bem como ao centenário da morte de outro Presidente da República, de nome Teófilo Braga (1843-1924), que, além de político, foi homem de letras.

A nível local, sobressaem ainda o centenário do nascimento do pintor Isabelino Coelho (1924-2013) e os 100 anos da morte do musicólogo Valentim Moreira de Sá (1853-1924), ou os 200 anos da morte da poetisa Catarina de Lencastre (1735-1824), a que se acrescentaria os 150 anos de nascimento de José Luís de Pina (1874-1960), os 50 anos da Universidade do Minho, e os 140 anos de nascimento de Mariano Felgueiras (1884-1976) e de Eduardo de Almeida (1884-1958), curiosamente ambos nascidos no Ano de Ouro de Guimarães de 1884, efeméride que também perfaz 140 anos.

De facto, em 1884, há 140 anos atrás, ilustres vimaranenses organizariam a primeira Exposição Industrial de Guimarães que se inaugurou no Palácio de Vila Flor em 15 de Junho, logo depois da chegada do comboio das 11 horas da manhã. Efetivamente, nesse ano que mudou Guimarães, a Exposição Industrial já seria visitada por muitos visitantes deslocados por comboio, que chegaria a Guimarães nesse mesmo ano, em 14 de Abril de 1884. Porém, uma exposição que abriria outras portas do sucesso, para além da visibilidade da indústria vimaranense e que à colação traria outras conquistas, como a Escola Industrial, a conclusão das obras na atual Basílica de S. Pedro, no Toural, com a colocação da última pedra do seu frontão e a cruz pontifical na fachada, embora ainda hoje falte a outra torre sineira e simétrica. Igualmente, surgiria a Revista de Guimarães, que ainda hoje se publica, e iniciar-se-ia o processo de angariação de fundos para as esculturas de D. Afonso Henriques e Pio IX, que viriam a ser implantadas em 1887 e 1893, respetivamente.

À colação, como é óbvio, a chegada do comboio obrigaria ainda a criar ligações específicas. Deste modo, planear-se-ia e rasgar-se-ia a Avenida da Indústria (atual D. João IV), que abriria ao público em 1893, e a Avenida do Comércio (atual D. Afonso Henriques), em 1900.

Do passado para o presente e deste para o futuro, o ano de 2024 será também o penúltimo ano de mandato camarário de Domingos Bragança e prenúncio de movimentações para a sucessão nas eleições autárquicas de 2025. Como tal, um ano de contagem de espingardas e corrida aos lugares, para os quais já se perfilam candidatos e afins e elencam imensas obras.

Deste modo, 2024 será também um ano de algumas certezas e promessas, como o avanço da Escola-Hotel do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, investimento a concluir em 2025, bem como a construção das instalações dos Cursos de Licenciatura e Mestrado em Engenharia Aeroespacial, na Caldeiroa, na antiga Fábrica do Arquinho e ainda a criação de um edifício de alojamento de estudantes no Avepark. Além disso, no âmbito da educação, é outrossim de destacar o projeto de reabilitação, reorganização funcional e ampliação da EB 2,3 de S. Torcato, assim como a requalificação da EB 2 e 3 de Pevidém, o lançamento do concurso para o Biblioteca da EB 2 e 3 João de Meira e uma intervenção na EB1/JI da Abação.

Crê-se ainda que se concluirão as obras de refuncionalização da Torre da Alfândega, destinada a instalar no seu interior o núcleo expositivo/interpretativo da muralha e ocorrerão igualmente outras iniciativas de reabilitação. Entre estas, na antiga Fábrica de Curtumes Amadeu Miranda para instalação da nova Loja do Cidadão, ou na Fábrica do Alto, em Pevidém, para implantação da Academia de Transformação Digital.

Igualmente, entre outros projetos infraestruturais prevê-se também mais de 1 milhão de euros para o Posto da GNR de Lordelo e cerca de 200 mil euros para o Centro de Saúde de Moreira de Cónegos.

A nível das acessibilidades e mobilidade avulta a construção da via ao Avepark, que tem garantidos 37 milhões de euros de financiamento, que pretende criar condições para a ligação  à futura estação de alta velocidade ferroviária de alta velocidade, na circunstância utilizando  parte da EN 101 como tramo dedicado para o transporte público por Metrobus ou Metro Ligeiro de Superfície. Em aditamento, assume-se como projeto prioritário a via segregada

da ligação da variante de Creixomil à EN 206, no eixo A11-Guimarães que permitirá mitigar o estrangulamento de saída para a rotunda de Silvares e um tramo de ligação `Cidade Desportiva e Rotunda do Reboto.

Nesta vertente e como projetos prioritários estão ainda previstas requalificações e refuncionalizações na Alameda Norte, Largo do Toural Norte e Rua de Santo António, tendo em vista a pedonalização do Centro Histórico ao condicionamento do trânsito envolvente. Acrescenta-se ainda, neste domínio, o estudo e projeto de novo arruamento de ligação entre a rotunda da Avenida D. João IV e o teleférico, assim como o projeto de desnivelamento da rotunda do Salgueiral, rotunda da EN 101, na vila de Ponte e reabilitação da Ponte do Soeiro.

Entretanto, no domínio desportivo, ressalta a colaboração com o Vitória Sport Clube na construção da nova academia e a requalificação da antiga piscina no Parque da Cidade e, simultaneamente, a ampliação do Complexo da Cidade Desportiva, em S. Tiago de Candoso. Conquistas a que também se deverá ajuntar o avanço do Programa de Apoio de Acesso à Habitação que inicialmente comportará a aquisição de 111 novos fogos nas freguesias de Creixomil e Azurém, com habitações a custos controlados.

Em termos mais genéricos prevê-se também avançar com nova candidatura a Capital Verde Europeia 2026 e a distribuição de dotações orçamentais para os Fornos da Cruz de Pedra, Eco Parque Industrial do Sul do Concelho e um novo edifício das Oficinas Municipais.

Obviamente, teremos como sempre os eventos culturais habituais da cidade e da tradição vimaranense, bem como a assunção de contratos programas de entidades municipais como a Cooperativa A Oficina, a Turipenha, o Laboratório da Paisagem , a CASFIG, o Centro Ciência Viva e as Taipas Turitermas.

 A execução de uma escultura evocativa de Vimara Peres e criação do Centro Cultural de Serzedelo na antiga fábrica Calvarex outras das iniciativas contempladas, num orçamento que globalmente ascende a 175, 3 milhões de euros, o maior orçamento municipal de sempre.  

Por outro lado, espera-se também, que possam avançar as obras de restauro da Igreja de Santa Marinha da Costa e da criação de uma residência universitária na antiga Escola de Santa Luzia.

Ademais, este ano, o município vai assumir competências na saúde em 1 de Janeiro, em matérias relacionadas com a gestão funcional dos equipamentos. Deste modo, em contrapartida do protocolo estabelecido, o concelho irá contar por parte da ARS do Norte, no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), da instalação de painéis fotovoltaicos em todos os centros de saúde, bem como de obras de ampliação do Centro de Saúde das Taipas e a construção de um novo centro de saúde na área sudoeste da Penha, a localizar plausivelmente em Mesão Frio, Costa ou Abação.

Mas, claro, caro leitor, podem ainda ocorrer imprevistos. Até lá, carpe diem e façam o favor de (tentar) ser felizes, porque não sabemos o que aí vem …  

Bom Ano Novo …

 

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