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In Memoriam de Fernando Conceição

Álvaro Manuel Nunes
Sociedade \ quinta-feira, abril 18, 2024
© Direitos reservados
Um ilustre professor e cidadão civicamente e culturalmente comprometido, cuja bagagem cultural e poder de comunicação transmitia a todos que o rodearam sentimentos de admiração e respeito.

No dia 17 de Abril a cidade recebeu com profundo pesar a triste notícia do falecimento do insigne professor, pedagogo e cidadão Fernando Dias de Carvalho Conceição, docente de História e Filosofia do Liceu de Guimarães, que como seu reitor (1966-1974) e posteriormente Presidente do Conselho Diretivo da Escola Martins Sarmento (1980-1984) exerceria funções neste estabelecimento de ensino durante vários anos. Atividade pedagógica a que acrescentaria a autoria do programa nacional de História para o 12º. ano e o manual da mesma disciplina do 7º. ano de escolaridade.

Com efeito, homem de ação, eloquência comunicativa e erudita, Fernando Conceição exerceria também vários cargos políticos a nível nacional, regional e local, entre os quais se destacam as funções de deputado da Assembleia Nacional (1969-1974) e da Assembleia da República (1985-1991), integrando nessa condição a subcomissão que elaborou a Lei de Bases do Sistema Educativo (1986) e a Comissão Interministerial da Família (1986), bem como de Vice -Governador Civil de Braga, cidade de onde era natural e nascera em 18 de Abril de 1923. Neste âmbito, presidiu ainda à Comissão Permanente da Assembleia da República (1987-1988), assim como nas Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa (1988-1991) e da União da Europa Ocidental (1990-1991) e ainda no Conselho Nacional da Educação, entre 1988 e 1991.  

Ação política que assumiria também em Guimarães, como membro da Comissão Política Concelhia e Distrital do PSD, deputado da Assembleia Municipal (1982-2007), Vice-Governador do Distrito d Braga (1994-1995) e, antes do 25 de Abril, como vereador camarário com o pelouro da cultura (1968-1974)

De facto, a cultura seria uma das vertentes primordiais da sua vida ativa. Deste modo, Fernando da Conceição participaria ativamente em diversas instituições vimaranenses entre as quais a Sociedade Martins Sarmento, na qual desempenhou os cargos de Presidente da Assembleia Geral (1983-1986) integrando o Conselho Científico desde 2014. Recorde-se neste contexto, enquanto orador exímio,  a sua conferência proferida em 1981, alusiva ao tema do “Ensino em Portugal, que futuro?”, publicada na Revista de Guimarães, uma das suas muitas  colaborações em revistas e na imprensa local.

Igualmente, destacar-se-ia o seu labor investigativo no âmbito da História Local, do qual é autor de variadas obras, nomeadamente o seu último trabalho intitulado “Claustros de Guimarães – Arquitetura e Simbolismo”, apresentado na UNAGUI em 22 de Abril de 2023, no decurso da sessão de homenagem relativa ao seu centésimo aniversário. Efetivamente, também nesta Universidade do Autodidata e da Terceira Idade de Guimarães, Fernando  Conceição  marcou presença ativa desde a sua origem como cofundador e no exercício de vários cargos diretivos, bem como na qualidade de professor de História e Cultura de Guimarães que alguns dos seus “alunos” ainda lembram saudosamente.

Atividade cívica e cultural que se estendeu ainda à MURALHA (associação de Guimarães para a defesa do património), ao Vitória Sport Clube, enquanto Presidente do Conselho Fiscal e à Casa dos Pobres. Imparável e assaz solicitado, desempenharia ainda funções de Juiz substituo de Instrução Criminal do Círculo de Guimarães e Coordenador da Comissão de Ética do Hospital de Nossa Senhora da Oliveira  (1992-1999) e ainda membro do Conselho Geral  da Fundação Cidade de Guimarães (2011-2012).

No fundo e em súmula, um ilustre professor e cidadão civicamente e culturalmente comprometido, cuja bagagem cultural e poder de comunicação transmitia a todos que o rodearam sentimentos de admiração e respeito. Mas também um homem multifacetado e cordato, cheio de humildade, que conjuntamente com a sua esposa Manuela de Alcântara Santos marcam indelevelmente o ensino e a cultura vimaranense.

Recordo-o enquanto meu professor de Filosofia no início dos anos 70, pelo seu espírito de abertura e sapiência, que frequentemente aparecia na Biblioteca a dar indicações sobre trabalhos em curso, ou como professor substituto, geralmente em História, que nos tramava os feriados e a oportunidade de mais um jogo futebol. Porém, as únicas aulas de substituição que faziam esquecer a desejada loucura da bola …

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